terça-feira, 16 de novembro de 2010

Parashá da Semana: Vaishlach
Uri Lam 
(para o folheto semanal Congregar, CIP, www.cip.org.br)
Pra lá deste quintal era uma noite que não tem mais fim. Pois você sumiu no mundo sem me avisar e agora eu era um louco a perguntar: o que é que a vida vai fazer de mim? (Chico Buarque) 
Jacob finalmente deixa a casa de seu sogro Lavan para trás, mas ao por o pé na estrada é literalmente atingido por mensageiros de Deus. Já na estrada, agora é ele quem envia mensageiros até Esaú. Os mensageiros retornam e relatam: “Fomos até seu irmão. Ele também vem na sua direção – e vem muita gente com ele.” Ciente de que, sendo o filho caçula, trapaceou e tomou de Esaú os direitos de filho mais velho, mesmo após tantos anos sem se encontrarem, Jacob teme a vingança como certa e sente muito, muito medo. Não que Esaú tenha lhe feito algum mal ao longo destes anos. Nem os mensageiros de Jacob dão a entender, objetivamente, que o irmão vem ao seu encontro para atingi-lo, feri-lo, matá-lo. Por enquanto, Jacob só foi atingido mesmo por anjos de Deus. De que forma? Só ele e Deus sabem. 
Contudo, certo de que o pior está por vir, Jacob rearranja todo o seu acampamento e o divide em dois. Ileso não escapará, isso é certeza. Tudo - assim parece acreditar - está nas mãos de Esaú, vingativo, sedento para devolver com juros pelo dano que ele Jacob, o queridinho da mamãe, o trapaceiro, lhe causou no passado.
Por que Jacob sente tanto medo? Outra forma de perguntar é: de que Jacob sente tanta culpa? Ele já havia sido atingido pelos mensageiros de Deus ao sair da casa do sogro. Teriam sido estes os mesmos mensageiros que ele próprio enviou até Esaú com mensagens de paz e amor para apaziguá-lo? E se nem anjos de Deus foram capazes de tamanha proeza? E se Esaú de verdade quiser mesmo é matá-lo e lhe arrancar a cabeça pelo pescoço com os próprios dentes?
Tenho a clara sensação de que Jacob projetava em Esaú as suas próprias culpas. Ele se sente a mais insignificante das criaturas, incapaz até mesmo, ao fazer suas preces, de dizer “Meu Deus”. Deus é o Deus de Abrahão e de Isaac, que foram dignos disso, mas não é o Deus dele, Jacob. “Eu diminuí”, diz. Ele se dá conta de que seus atos do passado não oferecem ameaça somente a si mesmo nem apenas ao seu patrimônio material, mas também à sua família, aos seus filhos, ao seu nome e ao de sua descendência no futuro. “Eu diminuí, dentre todas as bondades e dentre toda a verdade que Tu fizeste...” Jacob intui que falhou no aspecto legal, pois não fez o era justo; e no aspecto moral, ao não agir de acordo com o que se pode chamar de bondoso. Jacob, através dos próprios atos, excluiu a si mesmo de dois acampamentos: o da justiça e o da bondade. “Eu diminuí”.
Há conserto para nossas culpas? Há conserto para os erros do passado, mesmo aqueles cometidos em um passado distante? A resposta é difícil: nem sempre. Há aqueles que simplesmente deixam para lá, na esperança de que as lembranças sejam aos poucos apagadas pelo tempo. Há aqueles que, conscientes ou não, dirigem suas vidas por caminhos que, mais cedo ou mais tarde, os levarão ao encontro com pessoas a quem atingiram no passado – e tanto temem o encontro quanto o aguardam. E há aqueles que se dão conta de que há dois acampamentos nos quais o acerto de contas com o passado precisa ser travado; no mundo externo e no mundo interno - e partem para o enfrentamento.Conta-nos o Midrash: “[Jacob] os fez cruzar o rio” (Gênesis 32:24) – ele fez de si mesmo uma ponte que pegava daqui e entregava ali.” [Bereshit Raba] No caminho em direção a Esaú, Jacob fez de si mesmo uma ponte entre seu passado e seu futuro; entre o reconhecimento da culpa diante de Deus e diante de seu irmão; entre o reconhecimento e o enfrentamento da culpa; entre os tempos de irresponsabilidade e os de assumir a responsabilidade por seus atos.
“O mundo inteiro é como uma ponte estreita: o principal é não ter medo”, dizia Rebe Nachman de Breslav. Jacob tinha diante de si um rio caudaloso de muitos medos, mas fez de si mesmo uma ponte, cruzou o rio e enfrentou seus medos. Ele saiu ferido, é verdade. Mas foi assim que Jacob tornou-se Israel: aquele que enfrentou [seus medos diante de] Deus e [diante dos] outros seres humanos – e os venceu.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O fim da linha para a Rabanut
Yehuda Gilad, Rabino-Chefe da Yeshivá Maalê Guilboa, rabino do Kibutz Lavi
26/10/2010 – jornal Yediot Achronot (em hebraico)
Tradução: Uri Lam, 02/11/2010
Se no nosso mundo conceitos como "Rabinato Estatal" nas considerações gerais israelenses e "sionismo religioso" em geral ainda têm algum significado, eu entendo que a decisão do Rabinato Chefe de lançar dúvidas sobre as conversões no Exército de Defesa de Israel deve ser a "gota d`água" do nosso relacionamento com o Rabinato Chefe de Israel. Como sionista religioso (dati leumi) convicto de que Israel é o início do florescer da nossa redenção, não é fácil para mim essa percepção, mas me parece que chegou a hora de dizer com honestidade, franqueza e tristeza que essa instituição tal como é hoje provavelmente chegou ao fim do seu caminho. 
A decisão do Conselho do Rabinato Chefe, além de ser atingida pela proibição da Torá de constranger o guer (convertido ao judaísmo), razão suficiente para condená-la, reflete claramente a total anulação da abordagem que vê a si mesma como a responsável pelo povo de Israel em geral e pela característica judaica do Estado de Israel, em face da abordagem charedi (ultra-ortodoxa) que vê a realidade através de um ponto de vista ultra-ortodoxo.
Chegamos à situação absurda em que a grande conquista judaica - o Estado de Israel - está em perigo justamente por causa da atitude de judeus ultra-ortodoxos, e no momento com o apoio do Rabinato Chefe de Israel. Diante da terrível situação de assimilação em que se encontra o povo judeu na diáspora, o povo de Israel está perdendo milhares de judeus a cada ano. Nas últimas décadas o Estado de Israel foi o único lugar onde a assimilação quase que completamente não existiu. Casamentos entre judeus e não-judeus que vivem em Israel, árabes, drusos e assim por diante, são raros, e assim Israel era o único lugar no mundo que garantia o futuro demográfico do povo judeu.
Na última década, como se sabe, as coisas mudaram. Com a bem-vinda aliá da ex-URSS, também vieram centenas de milhares de descendentes de judeus que não são judeus de acordo com a Halachá. Essas pessoas queridas se integraram de modo impressionante na vida do Estado, na sociedade, no exército, na economia e em todo o sistema de vida de Israel. A fase que sela a integração em muitos aspectos da vida do país é o casamento com judeus israelenses, nascidos neste país.
Um desafio nacional, judaico, haláchico desta magnitude nunca ocorreu na história do nosso povo. Este é o momento de sair em uma ampla campanha nacional para incentivar a conversão de tantos e bons deste público. Este deve ser a grande hora do Rabinato Estatal, quando estas considerações a respeito do povo de Israel estão diante dos seus olhos. É preciso dizer isso claramente, as possibilidades são apenas duas: uma é o amplo esforço para a conversão acolhedora, estimulante e amigável, fundamentada nos valores facilitadores de grande parte dos legisladores ao longo das gerações que favorecem a admissão de muitos destes imigrantes para o povo de Israel. A segunda é a estrita observância das mais rígidas abordagens da halachá, segundo as quais não se deve aceitar a conversão destes imigrantes - e o significado desta opção são milhares de casamentos mistos entre judeus e não-judeus.
Uma regra conhecida e aceita no mundo da Halachá é que em horas de urgência busca se fiar inclusive em posições minoritárias na Halachá que sejam mais permissivas. No caso em questão parece não haver momento mais difícil ou de urgência do que este! Assim como não há necessidade de se fundamentar em opiniões isoladas e se poder fundamentar em posições valiosas aprendidas do mundo da legislação judaica.
Os ultra-ortodoxos que defendem a abordagem mais rígida provavelmente não estão preocupados com a tragédia da assimilação, afinal os casamentos mistos serão parte da sociedade judaica não-praticante, e talvez assim eles possam se isentar dizendo "o que temos a ver com este problema?" Mas quem teme pelo futuro de Israel como Estado Judeu não pode ficar indiferente diante da evolução da situação na frente dos nossos olhos, quando em mais alguns anos serão criados aqui dois povos. Ambos israelenses cujo idioma é o hebraico, identificados e conscientes de que são judeus, sendo que um deles não é halachicamente judeu. Com toda a importância de temas tais como Cashrut, Shabat e outros serviços religiosos, não existe atualmente em Israel nenhum interesse público que se aproxima da importância deste importante desafio, em que lidar com ele é crítico para o nosso futuro aqui como um Estado Judeu. 
Devo admitir e dizer honestamente, com todo o respeito pelo atual Rabinato Chefe, sem levar em conta questões pessoais de parte dos temas por este tratados, mas o Rabinato Chefe não tem a vontade nem a capacidade de lidar com este desafio. Em vez disso, escolhe, na melhor das hipóteses, enterrar a cabeça na areia, e na pior, enfiar a cabeça entre os “grandes da Torá” haredim lituanos.
Com toda dor e dificuldade, eu peço, portanto, aos colegas rabinos e ao público sionista-religioso (dati-leumi) em geral para que diga abertamente o que muitos de nós já sentimos e silenciamos há muito tempo: o Rabinato Chefe de Israel chegou ao fim do seu caminho. 

terça-feira, 29 de junho de 2010

Os 50 rabinos mais influentes dos EUA
Tradução: Uri Lam
A revista norte-americana NEWSWEEK publicou a primeira lista lista por volta de abril de 2007, durante o feriado de Pessach, com a seguinte ressalva: "É uma lista subjetiva? Sim.” Agora no seu quarto ano, a lista inclui oito novos nomes e um novo rabino em primeiro lugar.
1.Yehuda Krinsky: líder do movimento Chabad-Lubavitch, Krinsky é a face contemporânea desta corrente chassídica. (2009 No. 4)
2.Eric Yoffie: representa mais de 1,5 milhão de judeus e mais de 900 sinagogas como presidente da Union for Reform Judaism (URJ). (2009 No. 8)
 3.Marvin Hier: fundador do Centro Simon Wiesenthal em Los Angeles, Hier segue em seu trabalho incansável no combate a questões como o antissemitismo, o dogmatismo e ódio. As muitas conexões de Hier com importantes líderes políticos e com figurões da indústria do entretenimento dá a ele uma plataforma internacional para falar sobre diversas questões que afetam o povo judeu. (2009 No. 2)
4.Mark Charendoff: líder no campo do futuro da filantropia judaica, Charendoff é o presidente da Jewish Funders Network, organização internacional de fundações familiares, entidades filantrópicas públicas e doadores individuais. (2009 No. 3)
5.David Saperstein: acabou de concluir seu mandato como o único rabino a servir o presidente norte americano Obama na Casa Branca na pasta de crenças religiosas e parcerias afins, Saperstein continua a atuar como uma grande influência em Washington em seu papel como diretor do  Religious Action Center (RAC) do Judaísmo Reformista. (2009 No. 1)
6.Schmuley Boteach: Autodenominado “O Rabino da América”, Boteach continua a compartilhar seus ponto de vista sobre casamento, relações familiars e relacionamento com o mundo, com presence regular no  popular The Oprah Winfrey Show, conselheiro de diversas celebridades em seus momentos de crise e com a pulbicação de seu novo livro, “The Michael Jackson Tapes”. (2009 No. 7)
7.Irwin Kula: escritor best-seller que atua  como co-presidente da CLAL (Centro Nacional Judaico de Ensino e Liderança – nos EUA). Conhecido nos EUA por seu comprometimento em reconstruir o perfil espiritual norte-americano. (2009 No. 10)
8.David Ellenson: sob sua liderança como presidente, o Hebrew Union College (HUC), de orientação reformista/progressista, continua a desenvolver, formar e apoiar as dinâmicas lideranças judaicas para o futuro. (2009 No. 5)
9.Robert Wexler: continua a influenciar gerações de estudantes e acadêmicos judeus como presidente da American Jewish University. (2009 No. 6)
10.Morris Allen: director de programa da Magen Tzedek, o selo de cashrut ético, Allen está mudando o modo como o mundo pensa o conceito de cashrut e os temas éticos que envolvem a questão de hechsher – a concessão do selo de “casher”. (Novo)
11.Uri D. Herscher: fundador, president e director geral do Skirball Cultural Center em Los Angeles. (2009 No. 9)
12.Norman Lamm: chancellor da Yeshiva University na cidade de Nova York. (2009 No. 14)
13.David Wolpe: considerado por muitos como o maior rabino de pulpit dos EUA e um dos grandes líderes do movimento Conservador, é rabino do Sinai Temple em Los Angeles. (2009 No. 11)
14.Yehuda Berg: conhecido como a liderança mundial do Kabbalah Centre. (2009 No. 13)
15.Joseph Telushkin: escritor best-seller e palestrante internacionalmente conhecido. (2009 No. 15)
16.Menachem Genack: diretor geral da Divisão de Cashrut da Orthodox Union, supervisiona e mantem diligentemente  as rigorosas exigências de cashrut em meio à série de recentes escândalos envolvendo produtos casher nos EUA. (2009 No. 17)
17.Ellen Weinberg Dreyfus: president da CCAR (Central Conference of American Rabbis), representa cerca de 2 mil rabinos reformistas e progressistas. (2009 No. 18)
18.Avi Weis: um dos líderes do movimento conhecido como Modern Orthodox, comanda o Hebrew Institute de Riverdale, Nova York. Recentemente provocou polêmica na comunidade ortodoxa com sua controversa decisão de conceder à sua estudante, Sara Hurwitz, o título de Rabá (Rabina). (2009 No. 38)
19.Jeffrey Wohlberg: presidente da Rabbinical Assembly, a associação internacional dos rabinos Conservadores. (2009 No. 19)
20.Steve Gutow: presidente e diretor geral do Jewish Council for Public Affairs, a agência de gerenciamento e relações públicas da comunidade judaica norte-americana. (2009 No. 20)
21.Yehiel Eckstein: fundador e president da International Fellowship of Christians and Jews, é reconhecido como uma liderança judaica mundial na relação com cristãos evangélicos. (Novo)
22. J.Rolando Matalon: Rabino Senior da Congregação B’nai Jeshurun (BJ) na cidade de Nova York, congregação com mais de 1.800 famílias associadas. (2009 No. 16)
23.Dan Ehrenkrantz: como presidente do Reconstructionist Rabbinical College, é reoconhecido como um dos maiores especialistas em temas ligados ao movimento judaico Reconstrucionista na história do judaísmo norte-americano. (Novo)
24.Haskel Lookstein: é o principal rabino da Ramaz School em Nova York e rabino da Congregação Kehilath Jeshurun. (2009 No. 22)
25.Sharon Kleinbaum: Rabina Sênior da Congregação Beth Simchat Torah, a maior sinagoga do mundo para judeus GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros). (2009 No. 25)
26.Jack Moline: líder espiritual da Congregação Gauds Achim em Alexandria, Vancouver, é  também o novo diretor de política pública da Rabbinical Assembly, do movimento do judaísmo Conservador. (Novo)
27.Steven Wernick: foi indicado como o novo vice-presidente executive e director geral da United Synagogue of Conservative Judaism. (Novo)
28.Art Green: decano da Escola Rabínica do Hebrew College, é reconhecido internacionalmente como um autoridade  em pensamento e espiritualidade judaica. (2009 No. 27)
29.Peter J. Rubinstein: Rabino Sênior da Central Synagogue de Nova York, congregação com mais de 1.700 famílias. (2009 No. 12)
30.M. Bruce Lustig: Rabino Sênior da maior sinagoga de Washington, a Washington Hebrew Congregation, com mais  de 3 mil membros. (2009 No. 26)
31.Sharon Brous: Fundadora da comunidade espiritual progressista de Los Angeles IKAR, Brous tem recebido atenção e aclamação internacional por sua liderança e impacto na comunidade judaica. (2009 No. 31)
32.Michael Siegel: Rabino Sênior da Congregação Anshe Emet em Chicago, também conhecido nos EUA como co-diretor geral da Comissão Heksher Tzedek, que cuida do selo de cashrut ético. (Novo)
33.Abraham Cooper: Decano associado do Centro Simon Weisenthal e do seu Museu da Tolerância, é conhecido internacionalmente como um ativista pelos direitos humanos e pelos direitos judaicos. (2009 No. 29)
34.Arthur Schneier: conhecido como o primeiro rabino a receber o Papa em sua Park East Synagogue em Nova York, também é o fundador e president da Appeal of Conscience Foundation. (2009 No. 36)
35.Ephraim Buchwald: fundador do National Jewish Outreach Program (Programa Nacional de Alcance Judaico, nos EUA), que combate casamentos inter-religiosos e assimilação. (2009 Ranking No. 35)
36.Sara Hurwitz: recebeu atenção nacional e internacional quando o rabino Avi Weiss (No. 18) concedeu a ela o título de Rabá (Rabina). Ela é considerada a primeira rabina ortodoxa ordenada nos Estados Unidos, e vem causando grande impacto nas áreas consideradas aceitáveis por mulheres ortodoxas modernas. (Novo)
37.Kerry M. Olitzky: diretor executivo do Jewish Outreach Institute, é uma das maiores lideranças rabínicas em favor de aproximação de famílias inter-religiosas e não-afiliadas nos EUA. (2009 No. 34)
38.Bradley Shavit Artson: Decano da Ziegler School of Rabbinic Studies na American Jewish University. (2009 No. 40)
39.Naomi Levy: considerada uma líder no Movimento Conservador, escritora e palestrante nacionalmente reconhecida nos EUA e fundadora e dirigente do Nashuva em Los Angeles, Programa que busca reaproximar judeus afastados. (2009 No. 39)
40.Harold Schulweis: considerado uma das principais vozes do movimento Conservador. Conhecido internacionalmente como fundador do Jewish World Watch. (2009 No. 21)
41.Marc Schneier: president e fundador da Foundation for Ethnic Understanding, que busca fortalecer as relações entre comunidades étnicas nos Estados Unidos. (2009 No. 33)
42.Zalman Schacter-Shalomi: conhecido como o fundador do movimento Jewish Renewal nos EUA. (2009 No. 45)
43.Elliot Dorff: diretor-geral do Comitê da Assembleia Rabínica para Lei e Parâmetros Judaicos, é um dos maiores líderes da equipe que trata de Halachá no Judaísmo Conservador. (2009 Ranking No. 41)
44.Bradley Hirschfield: defensor nacionalmente conhecido nos EUA pelo diálogo inter-religioso e pluralismo, é co-presidentd of CLAL. (2009 No. 42)
45.Steven Leder: Rabino Sênior do  Wilshire Boulevard Temple em Los Angeles e escritor best-seller. (volta à lista, da qual fez parte em 2008)
46.Ed Feinstein: Rabino Sênior da Congregação Valley Beth Shalom em Encino, California. (2009 No. 44)
47.David Stern: Rabino Sênior do Temple Emanu-El em Dallas, a maior congregação do Sudoeste norte-americano. (2009 No. 30)
48.Michael Paley: academic-residente e diretor do Jewish Resource Center da United Jewish Appeal (UJA) – Federação de Nova York. (2009 No. 50)
49.Jill Jacobs: especialista líder em temas de justice social judaica, rabino-residente no Jewish Funds for Justice. (2009 No. 48)
50.Mark Dratch: fundador do JSafe (Instituto Judaico de Suporte ao Ambiente Livre de Abuso), palestrante nacionalmente conhecido nos EUA e consultor em temas de violência doméstica, abuso de menores e assédio profissional na comunidade judaica. (Novo)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Congregar (CIP) Parashát Balac
A Torá do lado de fora e nós do lado de dentro? 
Uri Lam

Durante uma aula de Talmud nos foi pedido para escrever, na língua materna, o que viesse à mente sobre a frase: “A Torá do lado de fora e nós do lado de dentro”. Ao apresentar o que escrevi, em vez da ‘tradução simultânea’ para o hebraico, me foi pedido para ler... em português. Eu falava aos colegas numa língua que eles não entendiam. A sensação era perturbadora, pois por um lado me senti dono de uma informação à qual eles só teriam acesso se eu quisesse. Mas também me senti sozinho dentro de mim, com a Torá do lado de fora.
Foi quando me deparei com esta estranha passagem do Talmud: “Moisés escreveu o seu livro [a Torá] e a parashat Bilam” (Baba Batra 70b). Afinal, o relato de Bilam está dentro ou fora da Torá? Mas se nesta semana lemos na Torá que Bilam foi assediado por Balac, rei de Moav, para amaldiçoar o povo de Israel e no fim o abençoou com “Quão boas são as tuas tendas, Jacob, as tuas moradas, Israel”, o Ma Tovu que cantamos quando entramos na sinagoga!
Conta-se que Rabi Meir e Rabi Natan, desgostosos com Raban Shimon ben Gamliel, tramaram derrubá-lo do cargo de presidente do Bet Midrash (casa de estudos), mas o golpe fracassou e Shimon ben Gamliel ordenou que fossem expulsos, colocados para fora. No entanto, os dois contribuíam tanto para a compreensão da Torá que Rabi Iossei protestou: “A Torá fica do lado de fora e nós do lado de dentro?!” Shimon ben Gamliel decidiu que eles poderiam retornar ao Bet Midrash, mas de agora em diante os ensinamentos de Rabi Meir seriam citados como “acherim” (os outros) e os de Rabi Natan como “iesh omrim” (há quem diga) (Talmud, Horaiot 13b). Foi o modo encontrado para que a Torá deles permanecesse dentro da sabedoria judaica.
Mas e Bilam, o que alguém como ele, pronto para nos amaldiçoar, faz dentro da Torá? Ele é um profeta à altura de Moisés, o que levou Balac a convocá-lo como a derradeira chance de derrotar Israel. Onde está a diferença? Moisés faz o que Deus ordena, às vezes concorda, outras vezes discute ou se cala, mas age com integridade: ele faz o que pensa que deve ser feito. Bilam faz o que Deus ordena, mas o que faz nem sempre é o que pensa que deveria ser feito. Moisés ama os animais; o amor por seu rebanho o leva a encontrar Deus. Bilam maltrata o burro que só faz servi-lo, a ponto do animal ter que falar “o que eu te fiz para você me bater três vezes?” para Bilam entender que este salvara a sua vida. Em outras palavras: a Torá de Moisés − a sua relação com Deus, com os seres humanos e com as criaturas – é completamente diferente da Torá de Bilam.
Mesmo assim, lemos esta semana o relato sobre Bilam. Dentro da Torá. Mesmo que o Talmud diga que Moisés escreveu a sua Torá e o relato de Bilam em separado, é fato que Moisés não deixou a “Torá de Bilam” de fora da sua Torá. Que bom. O mesmo Bilam que poderia ter sido um pesadelo para Israel foi quem nos brindou com o Ma Tovu.
Conta-se que quando Amimar, Mar Zutra e Rav Ashi estavam juntos, foi proposto que cada um dissesse aos demais algo que jamais haviam escutado antes. Um deles falou: “Quem tiver tido um sonho e não souber dizer o sonhou, levante-se e diga: “Senhor do Universo... entre os sonhos que tive, dos que precisarem de cura, que sejam curados como pelas águas amargas das mãos de Moisés... e assim como Você fez com que a maldição de Bilam se tornasse uma benção, faça com que meus sonhos venham para o bem.” (Talmud, Brachot 55b)

sábado, 19 de junho de 2010

Editorial do jornal Jerusalem Post
Os Judeus Perdidos - Charedim estão abandonando os verdadeiros valores judaicos
Tradução: Uri Lam
O abandono coletivo dos autênticos valores judaicos parece ter passado dos limites na comunidade charedi. Nada mais pode explicar o fenômeno de dezenas de milhares de fanáticos religiosos, vestidos com chapéus e casacos pretos, congregados sob um escaldante sol do meio-dia para lutar pelo direito de discriminar seus irmãos judeus.
Um grupo de famílias charedis (ultraortodoxas) na cidade de Emanuel tem se recusado diligentemente há meses a acatar a decisão da Supremo Tribunal de Justiça israelense, que reflete o que a Supremo Tribunal de Justiça americano no caso Brown X Conselho de Educação decidiu legislar em 1954: a segregação é injusta. As famílias ashkenazis de Emanuel, a maioria delas membros do movimento chassídico conhecido como Slonim, recusaram-se a integrar suas filhas, alunas do ensino fundamental, a um grupo de seus pares sefardis. Em vez disso, eles insistem em manter uma “quota” de meninas safardis de “qualidade” que compõe cerca de um quarto de todos os alunos da escola, separando-se do restante das alunas. Ao mesmo tempo, eles insistem em receber o custeio financeiro integral do Estado de Israel para o seu empreendimento educacional segregado.
Os muros dentro da escola e no playground, que antes separavam as áreas “ashkenazi” e “sefardi”, foram postas abaixo por ordem do Tribunal de Justiça. Em decorrência disso, as famílias ashkenazis, em violação à lei de educação obrigatória, recusaram-se a enviar suas filhas à escola. Tentativas de se chegar a um compromisso foram refutadas por ordem do rabino Aharon Barazovsky, líder dos Chassidim Slonim. As famílias foram multadas por terem ido contra a decisão da justiça, o que não surtiu nenhum efeito. Finalmente, os juízes perderam a paciência e ordenaram que mães e pais fossem para a prisão durante as últimas duas semanas do ano escolar.
Alguém pode argumentar que o tribunal de justiça foi imprudente ao mandar prender pais e mães obstinados, mesmo por um curto período. Verdade, eles receberão condições especiais na prisão, incluindo celas separadas, mas eles não são criminosos no sentido convencional. Eles são culpados manter o parecer – generalizado na comunidade charedi – de que os sefardim são culturalmente inferiores aos ashkenazim. Até mesmo alguns sefardim partilham deste parecer, o que explica por que muitos – incluindo proeminentes parlamentares do partido (ortodoxo sefardi) Shas – optarem por enviar seus filhos para escolas ashkenazis, enquanto ao mesmo tempo lutam para garantir a manutenção de uma forte maioria ashkenazi.
Enquanto isso, durante as manifestações em massa da última quinta-feira (17/06/2010), que reuniram mais de 100 mil em Jerusalém e em Bnei Brak, os líderes charedis, em uma percepção contorcida da história, compararam a decisão do Supremo Tribunal aos incidentes de repressão perpetrado pelos gregos, pelos romanos, pela Rússia czarista e até mesmo pela Alemanha nazista.
O rabino Yosef Efrati, um protégé do rabino Yossef Shalom Elyashiv, a mais importante autoridade haláchica viva para os ashkenazis ultraortodoxos, comparou a tentativa do Supremo Tribunal de reunir estudantes de diversos backgrounds a idólatras que se esforçam para obrigar judeus a se curvar para uma estátua (acusou-os de avodá zará).
Não, rabino Efrati, concordar em estudar com colegas judeus provenientes de formações culturais diferentes como condição para receber fundos estatais não é idolatria – é agir como mentsch – como gente. Mesmo que os Chassidim Slonim não se beneficiassem da ampla generosidade do Estado sionista, eles deveriam aceitar meninas do ensino fundamental diferentes deles mesmos – mesmo aquelas com um nível mais baixo de observância religiosa – como uma expressão de respeito para com seus correligionários judeus. Esta é a maneira pela qual agem o Chabad e os sionistas religiosos, entre outros.
Chamar este tipo de acordo de avodá zará, de idolatria, é uma distorção do judaísmo. Compará-la com a situação na Rússia czarista revela uma total falta de apreço pelo papel do Estado Judeu em ajudar o judaísmo ultraortodoxo a se reconstruir depois do Holocausto. Graças à segurança fornecida pela Tzahal, as Forças de Defesa de Israel, pelos generosos fundos disponibilizados por sucessivos governos e pela isenção desfrutada pelos jovens homens charedis da obrigação para servir a Tzahal, hoje em dia há mais judeus religiosos dedicando-se ao estudo da Torá em tempo integral do que jamais houve na história. E eles têm o privilégio de fazê-lo na Terra de Israel, graças aos sionistas seculares cuja iniciativa rompeu quase 2 mil anos de exílio humilhante.
Tampouco a comunidade charedi parece apreciar a democracia de Israel. Apesar do curto prazo, a polícia resguardou com todo o cuidado o direito da comunidade ultraortodoxa de protestar contra a decisão do Supremo Tribunal. Os líderes charedis estavam livres para criticar publicamente o Tribunal e o Estado. Se um dia o ultraortodoxos se tornarem a maioria em Israel, será que eles tratariam os grupos minoritários de forma tão justa? Pergunte às meninas sefardis que foram colocadas do muro para fora em Emanuel.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DECLARAÇÃO POR ISRAEL E PELA PAZ 
As comunidades judaicas da América Latina, representadas pelo Congresso Judaico Latino-americano, expressam seu pesar ante a violência e perda de vidas ocasionadas durante a ação do exército israelense no dia 31 de maio de 2010, através da qual teve que assumir o controle de um barco que se dirigia ilegalmente a Gaza.
Lamentamos que os organizadores desta ação política tenham se negado a utilizar os canais existentes para a entrega de ajuda humanitária na faixa de Gaza, tal como o fazem regularmente organizações como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e as Nações Unidas. Isto mostra que a operação não tinha uma finalidade "humanitária", senão que buscava apoiar a organização terrorista Hamas, que nega a paz e o direito à existência do Estado de Israel. Como ficou evidenciado, muitos dos tripulantes destes barcos não eram pacifistas, mas provocadores e extremistas.É preocupante que grande parte da cobertura mediática internacional tenha omitido o contexto geral do conflito Palestino-Israelense, que serviu de marco de repercussão para este incidente. Consideramos fundamental que as partes deste conflito reconheçam o mútuo direito à sua existência como estados soberanos, vivendo em paz e segurança, um ao lado do outro. Nos encoraja uma visão de dois estados – um judeu e outro palestino – vivendo em paz e segurança, prosperando e iluminando o mundo com a contribuição de suas culturas. Contudo, ainda há quem acredite na solução de um estado no lugar do outro, convocando à aniquilação do Estado de Israel. Esta é a posição do grupo terrorista Hamas e de países como a República Islâmica do Irã, que apóiam e financiam o terrorismo.
O povo judeu se caracteriza por seu pluralismo e diversidade. Porém, em nossas comunidades impera um denominador comum: o apoio ao Estado de Israel. É inaceitável que, com o pretexto de criticar ações de seu governo, se questione sua legitimidade e direito à existência. É igualmente preocupante que sob a fachada do anti-israelismo se mascare una nova forma do velho antissemitismo.
A história de nossa região tem provado que a convivência entre judeus e árabes é possível. Desejamos compartilhar com o mundo esta mensagem, e não importar para a nossa região um conflito que é alheio. Imploramos para que os governos de nossos países participem na criação de condições para o diálogo, repudiando a condenação automática que não contribui para o entendimento entre as partes, e só fortalece os violentos que instigam ou desenvolvem as ações como esta que hoje lamentamos.

Congreso Judío Latinoamericano | Congresso Judaico Latino Americano | Delegación de Asociaciones Israelitas Argentinas | Asociación Mutual Israelita Argentina | Círculo Israelita de La Paz – Bolivia | Confederação Israelita do Brasil | Comunidad Judía de Chile | Confederación de Comunidades Judías de Colombia | Centro Israelita Sionista de Costa Rica | Congregación B'nei Israel de Costa Rica | Comunidad Judía del Ecuador | Comunidad Israelita de El Salvador | Comunidad Judía de Guatemala | Comunidad Judía de Honduras | Comité Central de la Comunidad Judía de México | Congregación Israelita de Nicaragua | Congreso Judío Panameño | Consejo Central Comunitario Hebreo de Panamá | Comité Representativo Israelita del Paraguay | Asociación Judía del Perú | Comité Central Israelita del Uruguay | Confederación de Asociaciones Israelitas de Venezuela | Federación Sefaradí Latinoamericano | Confederación Latinoamericana Maccabi | WIZO – Latinoamérica | Na’amat | Consejo Internacional de Mujeres Judías | COSLA - Confederación Sionista Latinoamericana.
Uma simpática entrevista com Alejandro Eliahu

Esta simpática entrevista com Alejandro foi realizada na sinagoga Birkat Shalom, no Kibutz Gezer, em Israel. Alejandro é judeu espanhol e vem de uma família de bnei anussim, do que tem muito orgulho. Até poucos meses atrás vivia em Barcelona, onde faz parte de uma comunidade judaica liberal. Ale pensa no futuro em tornar-se rabino. Que Deus (e os amigos) lhe dê forças e coragem para esta empreitada, para que possa contribuir muito com a comunidade judaica na Espanha ou onde quer que os ventos o levem. Precisamos de mais gente como Alejandro.
abraços a todos.