Como as crianças judias rezavam no Holocausto?
Esta foi a pergunta que recebi de uma pessoa via e-mail. Perguntou-me se elas rezavam em pé, ajoelhadas, se inclinavam o corpo, etc.
Por algum motivo esta pergunta me levou longe, a imaginar como as crianças judias rezavam nos campos de concentração, nos guetos, nas ruas, nos bueiros, nos bosques, na neve, diante da entrada para a câmara de gás, durante a fome que a consumia por dentro.
Algo me doeu nos kishkes, como se diz, com esta pergunta.
E me lembrei da cena comovente de um homem no campo de concentração que, num dia que me parece que era Simchat Torá, o dia da alegria da Torá, na falta de rolos da Torá ergueu uma criança e ela foi a Torá. A criança não rezava. A criança era a reza, a oração, a benção em si mesma.
Minha resposta foi a seguinte:
Cara XYZ,
Um milhão de crianças morreram nos campos de concentração.
Outras milhares delas sobreviveram Deus sabe como, diante do monstro nazista.
Como elas rezavam?
Certamente muitas rezavam. "Afinal, se algo de bom existir no mundo, deve estar para além desse sofrimento - deve ser Deus".
Certamente muitas não rezavam. "Afinal, se Deus existisse, não teria permitido que passássemos por isso".
Talvez rezassem em pé - se pudessem ficar em pé, dada a fome, o sono, as doenças, o sofrimento.Talvez rezassem na cama - se tivessem cama, e não fossem amontoadas às dezenas em estrados de cimento, umas sobre as outras.
Talvez rezassem para acordar no dia seguinte. Talvez rezassem para não acordar no dia seguinte.
Talvez rezassem murmurando - pois somente para isso tinham forças.
Talvez inclinassem o corpo que de tão fragilizado, era um milagre que se mantivesse em pé.
Certamente, toda certeza mesmo, é que as crianças judias jamais rezaram ajoelhadas - pois esta não é uma prática judaica.
A posição em que rezavam ou não tem muito menos importância sobre o por que rezavam.
Talvez por não entenderem o que se passava à sua volta, de tão absurdo de cruel.
Talvez por entenderem e rezarem para Deus para não entenderem.
Talvez pedissem para viver e contar sobre as atrocidades que passaram.
Talvez pedissem para morrer e assim abreviar o sofrimento.
Talvez rezassem para, por pelo menos alguns minutos, estarem com Deus, e não em meio àquele inferno.
Cara XYZ,
Um milhão de crianças foram exterminadas nos campos de concentração.
Talvez porque pouca gente rezou por elas,
Talvez porque pouca gente prestou atenção nelas,
Talvez porque quem rezou, não pensou nelas,
Talvez porque quem apoiou o mosntro nazista não rezava,
Talvez porque quem apoiou o monstro nazista rezava, mas não pensava nas crianças judias que rezavam nos campos de extermínio.
Seja na posição que for, da religião que for.
Espero ter respondido como as crianças judias rezavam na época do Holocausto.
Difícil foi continuar rezando depois do Holocausto. Depois de tanta crueldade.
Mas graças a Deus aqui estamos,
rezando em memória da alma de um milhão de crianças assassinadas no Holocausto.
Que a lembrança delas seja sempre uma benção para todos nós -
para que nunca mais uma besta faça isso com uma criança nem com qualquer ser humano.
despeço-me com um cordial shalom.
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quarta-feira, 13 de julho de 2011
sexta-feira, 4 de junho de 2010
We are the World 2: Cale a boca e volte para Auschwitz
"Esta é a Marinha Israelense, vocês estão se aproximando de um área sob bloqueio naval."
"Cale a boca e volte para Auschwitz".
"Nós temos permissão da Autoridade do Porto de Gaza para entrar."
"Estamos ajudando os árabes a irem contra os Estados Unidos, não se esqueçam do 11 de setembro, caras".
"Esta é a Marinha Israelense, vocês estão se aproximando de um área sob bloqueio naval."
"Cale a boca e volte para Auschwitz".
"Nós temos permissão da Autoridade do Porto de Gaza para entrar."
"Estamos ajudando os árabes a irem contra os Estados Unidos, não se esqueçam do 11 de setembro, caras".
domingo, 30 de maio de 2010
Mostra Shoá, Reflexões por um mundo mais tolerante - SESC Pompeia, imperdível
Está aí um exemplo de que ideias significativas podem ser realizadas por todo aquele e aquela que tenha disposição, ousadia e, prá usar um chavão americano, "pensar fora da caixa". É o caso dos jovens uruguaios Patricia Katz, Samuel Dresel e Uri Lichtenstein, jovens mesmo, quase adolescentes - cheguei a vê-los apresentar o projeto na Argentina em 2008, em um encontro do movimento judaico masorti/conservador - que criaram esta mostra interativa, inteligente e itinerante sobre o Holocausto, visitada por milhares de alunos do ensino fundamental e médio no Uruguai.
No Brasil, a mostra chega "turbinada". Além de estar aberta desde o último dia 28 de maio até 4 de julho, das 10h às 21:30h (menos aos domingos), será acompanhada por uma intensa programação paralela, com convidados especiais inclusive dos EUA, na Choperia do Sesc Pompeia às 4as feiras às 20:00h. A pretensão é que a mostra chegue a outras capitais do país.
Em São Paulo, a mostra conecta passado e presente estabelecendo um diálogo entre as diferenças culturais existentes no Brasil, ressaltando questões ligadas a direitos humanos e à tolerância. A montagem reúne parte do acervo exposto no Uruguai, além de produção local. São filmes, livros, estudos, obras de museus brasileiro e depoimentos de sobreviventes que residem no Brasil.
A exposição também faz uma justa homenagem a Ben Abraham, sobrevivente da Shoá e vice-presidente da Sherit Hapletá, a Associação Mundial dos Sobreviventes do Holocausto.
Está aí um exemplo de que ideias significativas podem ser realizadas por todo aquele e aquela que tenha disposição, ousadia e, prá usar um chavão americano, "pensar fora da caixa". É o caso dos jovens uruguaios Patricia Katz, Samuel Dresel e Uri Lichtenstein, jovens mesmo, quase adolescentes - cheguei a vê-los apresentar o projeto na Argentina em 2008, em um encontro do movimento judaico masorti/conservador - que criaram esta mostra interativa, inteligente e itinerante sobre o Holocausto, visitada por milhares de alunos do ensino fundamental e médio no Uruguai.
No Brasil, a mostra chega "turbinada". Além de estar aberta desde o último dia 28 de maio até 4 de julho, das 10h às 21:30h (menos aos domingos), será acompanhada por uma intensa programação paralela, com convidados especiais inclusive dos EUA, na Choperia do Sesc Pompeia às 4as feiras às 20:00h. A pretensão é que a mostra chegue a outras capitais do país.
Em São Paulo, a mostra conecta passado e presente estabelecendo um diálogo entre as diferenças culturais existentes no Brasil, ressaltando questões ligadas a direitos humanos e à tolerância. A montagem reúne parte do acervo exposto no Uruguai, além de produção local. São filmes, livros, estudos, obras de museus brasileiro e depoimentos de sobreviventes que residem no Brasil.
A exposição também faz uma justa homenagem a Ben Abraham, sobrevivente da Shoá e vice-presidente da Sherit Hapletá, a Associação Mundial dos Sobreviventes do Holocausto.
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