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domingo, 22 de novembro de 2015

A Paris, Mali, Beirute e Tel Aviv, com amor

Coluna semanal no jornal Correio de Sergipe
Rabino Uri Lam, Congregação Israelita Mineira (CIM), Belo Horizonte, MG
Tantas tragédias ocorrendo: Malis, Paris, Beirutes, Telavives - além, claro, da tragédia de Marianas, desembocando lama nos Atlânticos. No plural, porque a tragédia acomete as pessoas, as casas, os animais, os rios, os teatros, cinemas, as almas. O impulso de morte corre à solta com o uso sorrateiro, clandestino, estúpido da religião como pano de fundo. Enquanto isso, nos últimos dias, me pedem para falar de amor. Amor a Deus, amor entre seres humanos, amor ao próximo – seja ele de fato próximo ou distante. Amor a Deus – diz a minha tradição, a tradição judaica – se realiza ao amar o outro. Por comparação, o ódio, o desejo de matar e a realização do ato de matar, mesmo que para isso se saiba que vá morrer, é o oposto do amor. Não; é a falta, a ausência de amor ao ser humano, à vida fora de si mesmo, à vida dentro de si mesmo. Uma religião que fala em Deus não tem como mirar o assassinato de seres humanos; até onde sei, as religiões monoteístas ocidentais entendem que, ao matar um ser humano, diminui-se a presença de Deus no mundo.