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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Uma oração pelo Haiti
Movimento pelo Judaísmo Progressista de Israel
Tradução: Uri Lam
Rosh Chodesh Shevat 5770, janeiro de 2010, Parashát Vaerá
“Pois todos nós somos um só tecido vivo” - Moti Hammer
Diante das dimensões da catástrofe e do sofrimento no Haiti por conta do terremoto ocorrido há alguns dias, o Movimento pelo Judaísmo Progressista de Israel convoca os membros de suas comunidades, seus amigos e toda a população israelense a dedicar alguns momentos de reflexão e de oração em favor das vítimas e pelo esforço de resgate dos sobreviventes graças aos esforços de ajuda humanitária israelense e internacional.
Abaixo uma tefilá, uma oração em favor dos sobreviventes dos esforços de socorro, escrita pelo rabino Yehoram Mazor.
Uma Oração pelo Povo do Haiti
“Medo, abismo e entulho estão sobre vocês, habitantes da terra, trepidam os fundamentos da terra. Alquebrada esta a terra, despedaçada e feita aos pedaços, ela treme e se contorce, balança desequilibrada como um bêbado.” (Isaías 24:17-20)
Soberano do Universo, Tu nos deste o Teu arco-íris sobre as nuvens e nos informaste que não mais haveria um dilúvio. E eis que a terra trepidou e nossos irmãos e irmãs, habitantes do Haiti, foram atacados pelo tremor de sua terra. Nós nos enlutamos por seus mortos e nossos corações se unem aos de seus sobreviventes no sofrimento e na dor. Envia-lhes conforto para que possam restituir suas vidas. Resgate suas almas, cure seus corpos e envie força aos seus pensamentos. Envia a Tua compreensão e a Tua força às equipes de resgate, boa vontade e bom coração e mãos generosas a todos e todas que sejam capazes de prestar auxílio. Apresente a Tua luz, indique-lhes o caminho, seja para eles um defensor.
“Clamamos ao Eterno na nossa aflição e Ele nos respondeu. Gritamos e Ele nos escutou. Quando dentro de nós desfaleciam nossas almas, lembramo-nos do Eterno e chegou a Ti a nossa oração. E nós ofereceremos a Ti nossas rezas com voz de gratidão, e cumpriremos o que prometemos” (insp. em Jonas 2:3-10).
“E tudo o que se ergue é uma só alma, elevando-se como se ergue um mundo inteiro”. (Sanhedrin 4,5)
As fundações de auxílio humanitário das comunidades judaicas reformistas da América do Norte estão atuando desde o momento em que se soube do terremoto no Haiti, angariando recursos para auxílio aos sobreviventes do terremoto. As doações são totalmente em prol de atividades humanitárias.
Convocamos todas as comunidades judaicas em geral, e nossos amigos do movimento judaico progressista e reformista no mundo inteiro a divulgar esta oração e este comunicado, e promovam todos os esforços para auxiliar os sobreviventes da tragédia no Haiti.
Nesta noite de Shabat e de Rosh Chodesh Shevat, vamos dirigir uma oração para que o Deus Misericordioso nos console e console a todos os habitantes da terra, para que venhamos a ter um dia que seja todo Shabat e de descanso para o mundo inteiro, e que este novo mês que se inicia nos traga renovação para o bem e para a benção.
Que nossas ações sejam realizadas em benefício de ticun olam, da reparação do mundo, inspirados pelas palavras dos cânticos de Israel: “Que os atos de nossas mãos prosperem em nosso favor, e os atos de nossas mãos Tu farás com que prosperem.” (Salmos 90:17)
Movimento para o Judaísmo Progressista de Israel (em hebraico)
Judaísmo Progressista
Tradição de Renovação Judaica e Ticun Olam (Reparação do Mundo)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dê-me sua mão
Talmud Bavli, tratado Brachot (Bênçãos) 5b
tradução: Uri Lam

Rabi Chiya bar Aba (discípulo de Rabi Iochanan) estava debilitado.
Rabi Iochanan veio até ele em uma visita de bicur cholim (a pessoas doentes) e lhe perguntou: “Por acaso você gosta das dores?”
Rabi Chiya respondeu: “Não gosto nem delas nem de suas recompensas”.
Rabi Iochanan lhe disse: “Dê-me sua mão”.
Rabi Chiya lhe deu a mão – e levantou-se.

Rabi Iochanan estava debilitado.
Rabi Chanina veio até ele em uma visita de bicur cholim e lhe perguntou: “Por acaso você gosta das dores?”
Rabi Iochanan respondeu: “Não gosto nem delas nem de suas recompensas”.
Rabi Chanina lhe disse: “Dê-me sua mão”.
Rabi Iochanan lhe deu a mão – e levantou-se.

Por que Rabi Iochanan precisava esperar até que Rabi Chanina viesse visitá-lo e levantá-lo?Rabi Iochanan poderia se levantar sozinho!
É que uma pessoa presa é incapaz de sair sozinha da prisão.

Rabi Elazar (discípulo de Rabi Iochanan) estava debilitado.
Rabi Iochanan veio até ele em uma visita de bicur cholim.
Encontrou-o deitado em casa, no escuro.
Rabi Iochanan desnudou o próprio braço e a casa se iluminou. Foi quando percebeu que Rabi Elazar estava chorando. Rabi Iochanan lhe perguntou: “Por que você está chorando?”
Sem dar tempo ao amigo responder, tentou consolá-lo: “Se for por causa da Torá que você não pôde estudar tanto quanto desejava – ensinamos: ‘Um aumenta, outro diminui, e o que importa apenas é que dirija o seu coração aos céus’. E se for por falta de sustento (Rabi Elazar era muito pobre), nem todo ser humano é agraciado com duas mesas. E se for pelos filhos (que Rabi Elazar perdeu), isto também me aconteceu, com meu décimo filho”.
Rabi Elazar finalmente pôde responder: “Choro pela beleza que, afinal, também será coberta pelo pó”.
Ao ver a beleza de Rabi Iochanan, Rabi Elazar pensou na morte e perturbou-se com a ideia de que toda beleza do mundo é temporária e no fim a morte vem e leva tudo.
Rabi Iochanan disse: “Realmente este é um bom motivo para se chorar” – e os dois choraram juntos. Entre um assunto e outro,
Rabi Iochanan lhe perguntou: “Por acaso você gosta das dores?”
Rabi Elazar respondeu: “Não gosto nem delas nem de suas recompensas”.
Rabi Iochanan lhe disse: “Dê-me sua mão”.
Rabi Elazar lhe deu a mão – e levantou-se.