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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Guilad Shalit, que bom que você voltou para casa
Oração de agradecimento pela libertação de Guilad Shalit
Retirar da prisão os prisioneiros e do cárcere os que estão nas trevas (Isaías 42:7 – da haftará desta semana, Parashat Bereshit).
Este é o dia que o Eterno fez, vamos nos alegrar e nos regozijar (Salmos 118:24).
Nosso Deus e Deus de nossos Patriarcas e Matriarcas, neste grande dia, tempo de nossa alegria, nós dirigimos nossos corações para Ti com felicidade e contentamento, mexidos e agradecidos por Tua grande bondade que Tu fizeste com Guilad ben Aviva ve-Noam Shalit e com todo o Povo de Israel, por tê-lo retornado em paz do seu cativeiro para a sua família, seu país e seu povo. Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, por libertar os cativos.
Nós estamos emocionados porque se realizaram com ele e conosco as palavras do Profeta Jeremias: “Contenha a tua voz do choro e os teus olhos das lágrimas, porque a tua obra tem seu pagamento ─ palavras do Eterno ─ e eles voltarão da terra do inimigo. E há esperança quanto ao teu futuro, diz o Eterno ─ palavras do Eterno ─ e teus filhos voltarão às suas fronteiras” (Jeremias 31:15-16). Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, por auxiliar Israel com bravura.
Seja a Tua vontade, Eterno nosso Deus e Deus de nossos Patriarcas e Matriarcas, que neste dia e em todos os dias que virão, o prisioneiro que foi redimido conheça alegria no coração, tranquilidade na alma e sucesso em todos os atos de suas mãos, juntamente com toda a sua família e com todos os seus irmãos e irmãs de Israel. Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, por conceder forças aos cansados.
Deus que escuta a oração e que presenteia com a vida, seja a Tua vontade que os sentimentos de fraternidade e de envolvimento mútuo que cobrem o Teu Povo de Israel nestes dias se mantenham entre nós nos dias que virão, e que o dito “Todo aquele que salva uma vida equivale a salvar um mundo inteiro” (San’hedrin 4,5) continue a orientar o Estado, seus dirigentes, ministros e cidadãos. Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do universo, por coroar Israel com glória.
Soberano do Universo, Deus da alegria da nossa felicidade, seja a Tua vontade que depois do resgate de Guilad Shalit não ocorra mais nenhum dano nem prejuízo aos filhos do Teu povo, nem neste ano, tampouco nos próximos anos, que venham a nós para o bem, mas sim espalhe, com a Tua ampla bondade, uma tenda de benignidade, de vida e de paz, sobre nós, sobre todo o Povo de Israel e sobre todos os habitantes do planeta. Que esta seja a Sua vontade ─ e digamos amen. Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, que nos fizeste viver, nos mantiveste e nos fizeste chegar até este momento.


Esta esta oração de agradecimento foi escrita com base nas orações de agradecimento da Assembleia Rabínica do Movimento Massorti e na oração do rabino Yehoram Mazor no sidur Haavodá Shebalêv).
Tradução do hebraico (abaixo): Uri Lam



כמה טוב שבאת הביתה
תפילת הודיה על שחרורו של גלעד שליט
לְהוֹצִיא מִמַּסְגֵּר אַסִּיר, מִבֵּית כֶּלֶא יֹשְׁבֵי חֹשֶׁךְ.
זֶה הַיּוֹם עָשָׂה יְהוָה, נָגִילָה וְנִשְׂמְחָה בוֹ.
אֱלֹהֵינוּ וֵאלֹהֵי אֲבוֹתֵינוּ וְאִמּוֹתֵינוּ, בְּיוֹם גָּדוֹל זֶה, זְמַן שִׂמְחָתֵנוּ, אָנוּ נוֹשְׂאִים לְבָבֵנוּ אֶליך בְּגִילָה וּבְשִׂמְחָה, בִּרְעָדָה וּבְהוֹדָיָה עַל חַסְדְּךָ הַגָּדוֹל שֶׁעָשִׂיתָ עִם גִּלְעָד בֶּן אֲבִיבָה וְנֹעַם וְעִם כָּל עַם יִשְֹרָאֵל, שֶׁהֲשִׁיבוֹתָ אוֹתוֹ בְשָׁלוֹם מִשִּׁבְיוֹ לְמִשְׁפַּחְתּוֹ וּלְאַרְצוֹ וּלְעַמּוֹ.  בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם, מַתִיר אַסוּרִים.
נִרְגַּשִים אֲנוּ כִּי הִתְקָיְמָה בּוֹ וּבַנּוּ דִבְרֵי הַנַבִיא ירמיהו:  "מִנְעִי קוֹלֵךְ מִבֶּכִי וְעֵינַיִךְ מִדִּמְעָה כִּי יֵשׁ שָׂכָר לִפְעֻלָּתֵךְ נְאֻם ה' וְשָׁבוּ מֵאֶרֶץ אוֹיֵב: וְיֵשׁ תִּקְוָה לְאַחֲרִיתֵךְ נְאֻם ה' וְשָׁבוּ בָנִים לִגְבוּלָם". בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם. אוֹזֶר יִשְרָאֵל בִּגְבוּרָה.
יְהִי רָצוֹן מִלְּפָנֶיךָ, יהוה אֱלֹהֵינוּ וֵאלֹהֵי אֲבוֹתֵינוּ וְאִמּוֹתֵינוּ, שֶׁבְּיוֹם זֶה וּבְכָל הַיָּמִים הַבָּאִים יֵדַע הַשָּׁבוּי שֶׁנִּפְדָה שִׂמְחָה בַּלֵּב וְשַׁלְוָה בַּנֶּפֶשׁ וְהַצְלָחָה בְּכָל מַעֲשֵׂה יָדָיו, יַחַד עִם כָּל בְּנֵי מִשְׁפַּחְתּוֹ וְעִם כָּל יִשְׂרָאֵל אֶחָיו וַאֱחיוֹתַיו. בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם. הַנּוֹתֵן לַיָּעֵף כֹּחַ.
אֵל שוֹמֶעֶ תְּפִילָּה וְחַפֶץ בַּחַיִּים, יְהִי רָצוֹן שֶרִגְשֵי הַאֲחַווָה וְהַעַרְבוּת הַהַדָדִית הַעֹטְפוֹת אֶת עַמְךָ יִשְרָאֵל בְּיָמִים אֶלֵּה יתקימו בַּנוּ גַּם בַּיָמִים הַבַֹאִים, וְשֶהַמַאֲמָר "כָּל הַמְקָיֶים נֶפֶש אֲחַת מַעֲלִים עַלַיו כְּאִילּוּ קִייֵם עוּלֶם מַלֵא" יָמְשִיךְ לְהַדְרִיךְ אֶת הַמְדִינָה, רֹאשֶיהַ, שַרֵיהַ וְאֱזְרַחֵיהַ. בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם. עוֹטֶר יִשְרָאֵל בְּתִּפְאַרָה.
רִבּוֹן הָעוֹלָמִים, אֵל שִׂמְחַת גִּילֵנוּ, יְהִי רָצוֹן מִלְּפָנֶיךָ שֶׁעֵקֶב פִּדְיוֹנוֹ של גלעד שליט לֹא יְאֻנּוּ כָּל פֶּגַע אוֹ רָעָה לִבְנֵי עַמֶּךָ לֹא בַּשָּׁנָה הַזֹּאת וְלֹא בְּכָל הַשָּׁנִים הַבָּאוֹת עָלֵינוּ לְטוֹבָה, אֶלָּא פְּרֹשׂ בְּרַחֲמֶיךָ הָרַבִּים סֻכַּת רַחֲמִים וְחַיִּים וְשָׁלוֹם, עָלֵינוּ, וְעַל כָּל יִשְרָאֵל, וְעַל כָּל יֹּשְבֵי תֶבֶל. וְכֵן יְהִי רָצוֹן וְנֹאמַר אָמֵן. בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם. שֶׁהֶחֱיָנוּ וְקִיְּמָנוּ וְהִגִּיעָנוּ לַזְמַן הַזֶּה.


התפילה נכתבה על בסיס תפילות ההודיה של כנסת הרבנים של התנועה המסורתית ותפילתו של הרב יהורם מזור (העבודה שבלב – המרכז להתחדשות התפילה)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dezoito ou Dezenove Bênçãos? A Bircat haMinim
Uri Lam 
Há diversas orações que compõem o sidur, o livro judaico de orações, que muitos israelenses dizem que se os judeus que vivem fora de Israel - e que porventura não compreendam bem o hebraico - entendessem o que estão rezando, deixariam de rezar certas passagens.
Isso faz sentido em várias orações, mas na minha opinião, não é o caso da polêmica "Benção (contra) os "maldosos". Tanta polêmica que em muitas versões censuradas do Talmud (pelos que perseguiam os judeus) ela aparece como "Benção (contra) os Tsadukim (saduceus)", tradicionais adversários dos Prushim (fariseus) nos tempos talmúdicos, há cerca de 2 mil anos.
Mas é bem provável que esta oração tenha se dirigido à seita cristã que surgia no período ao redor da destruição do 2o Templo de Jerusalém. Hoje há um diálogo saudável e próspero entre lideranças do povo judeu e de diversos setores da religião cristã, que entendem que judaísmo e cristianismo têm crenças diferentes e os últimos não buscam mais, em boa parte (com raras e triste exceções) querer converter judeus ao cristianismo nem buscar convencer os judeus que é possível ser judeu e acreditar em Jesus como o Messias.
E não era esta a realidade nos tempos imediatamente posteriores à destruição do Templo Sagrado. para a então recém-criada seita cristã (que anos mais tarde se constituiria numa religião organizada), segundo o rabino Beniamin Lau (em seu livro "Chachamim"- Os Sábios, vol. 2, em hebraico), a destruição do Templo, centro da vida judaica de então, era um sinal mais do que claro de que o "povo de Israel terreno" havia sido abandonado por Deus graças aos seus pecados. E que deveriam espalhar as "boas novas"  de que uma "nova Israel" surgira, e Jesus era seu Messias.
Embora a maioria dos cristãos pós-Templo nada tenha a ver com o povo judeu - adotaram o cristianismo através do trabalho missionario de Paulo de Tarso entre diversos povos nos arredores - uma parcela bem menor de judeus havia adotado as novas crenças e tinha, segundo o rabino Lau, constrangiam e ameaçavam os valores judaicos preservados a duras penas pela geração de Iavne. Rabi Gamliel, com o intuito de deixar claro o quanto a presença daqueles não era bem vista nos novos centros de estudos e sinagogas, bem como para que os judeus não fossem confundidos com os Maaminê Ieshu haNotsri (os crentes em Jesus, o Nazareno) pelos romanos - era época também de perseguição romana aos cristãos, que só mais tarde se converteriam ao cristianismo, dando origem ao Catolicismo -  propôs a instituição de uma nova benção, a ser integrada às tradicionais Dezoito Bênçãos que formavam a principal oração judaica até então.
Conforme o rabino B. Lau, esta oração deixava bem claro a todos os que vinham às sinagogas - não para visitar, mas para converter judeus à nova crença - que para isso eles não eram bem vindos.
Dezoito bênçãos falam de agradecimento aos nossos antepassados, por terem nos legado uma tradição tão rica e bela, pedidos por saúde, prosperidade e paz. Mas como os rabinos não são bobos, a última benção acrescentada às demais dezoito da Amidá representa claramente que aqueles que nos querem mal - e querer nos fazer acreditar no que não acreditamos é nos fazer mal - não são bem vindos à nossa casa.
Bastante atual esta inclusão. Ainda hoje há aqueles que querem se passar por judeus  - e acham que estão nos fazendo um bem - para levar aos judeus uma mensagem que não é nossa. Para estes foi criada pelo modesto Shimon haKatan a Bircat HaMinim e só prá estes. Como diz o rabino B. Lau, continuam não sendo bem vindos.
abaixo uma tradução simplificada e informal da passagem do Talmud que conta um pouco desta historia. Quando tiver tempo, conto como um dos sábios abaixo, Rabi Eliezer, foi confundido com os "minim" (Maaminê Yeshu Hanotsri) e levado à "polícia" da época pelos romanos e de como ele escapou desta fria.
boa leitura! 

Talmud Bavli, Brachot 28b
versão informal e explicada: Uri Lam, fev. 2011
Eram os tempos da Mishná... (antes da destruição do 2o Templo)
Estavam reunidos, estudando juntos, um grupo de sábios. O tema do dia eram as Shemone Esre, as Dezoito Bênçãos, oração central dos serviços religiosos judaicos da semana.
No meio da conversa, Raban Gamliel afirmou: “Deve-se rezar as Shemone Esre todos os dias”. Mas como a cada dois judeus há três opiniões, entre os rabinos não poderia ser diferente. Logo veio Rabi Iehoshua e contestou: “Não! Basta uma versão abreviada, a Meêin Shemone Esre”.
Rabi Akiva sorriu para os colegas e contemporizou: “Bem, se ele tiver a reza na ponta da língua, que recite as Dezoito Bênçãos completas. Mas se não souber tudo bem, reza a versão abreviada, qual é o problema?”. 
Rabi Eliezer aproximou-se e disse: “Não sei não... desconfio de que se uma pessoa reza todos os dias a mesma coisa de modo fixo, suas preces perdem o sentido...”.
Rabi Iehoshua veio defender sua posição e a contextualizou: “Queridos amigos, vivemos tempos perigosos. muitos de nós já fomos assassinados. E se um judeu estiver passando por um lugar perigoso, o que deve fazer? Parar e rezar todas as Dezoito Bênçãos?! Correrá risco de vida! Basta que reze a versão abreviada e no final diga: ‘Eterno, salve o Teu povo, os remanescentes de Israel. Em toda situação pela qual passarem, que suas necessidades sejam atendidas por Ti. Bendito sejas Eterno, que escutas a tefilá.” (...)

Um bom tempo depois, na época da Guemará... (depois da destruição do 2o Templo)

Estavam reunidos, estudando juntos, um grupo de sábios. O tema do dia eram as Shemone Esre, as Dezoito Bênçãos, oração central dos serviços religiosos judaicos da semana. O tempo passa, e os judeus continuam estudando o que lhes foi legado por herança pelas gerações passadas, desde os tempos de Moisés no Sinai... não! Desde Avraham Avinu! Não, desde sempre! Bom, esta é outra discussão... mas vamos ao tema do dia:
Pergunta: A que correspondem as Dezoito Bênçãos?
Rabi Hilel, filho de Rabi Shmuel bar Nachmani, disse: “Pelo que aprendi, corresponde às dezoito menções ao Nome de Deus feitas pelo Rei David no Salmo 29 (Havu L’Ad-nai, benê elim)".
Rabi Iossef contestou: “Aprendi outra coisa, e me parece que a minha tradição é mais antiga do que a sua. Elas correspondem na verdade às dezoito menções ao Nome de Deus feitas na leitura do Shemá”.
Rabi Tanchum aproximou-se e comentou, daquilo que aprendeu com Rabi Iehoshua bar Levi: Amigos, quando rezamos, aprendemos que devemos rezar com todos os nossos ossos, lembram-se? Corresponde às dezoito vértebras da coluna espinhal". E ele continuou: "Quando formos rezar as Dezoito Bênçãos, devemos movimentar toda a coluna e nos abaixarmos até a última vértebra!" 
Ula disse: “Não precisa. Basta se curvar até a altura do coração, de modo que possa ver, por exemplo, uma pequena moeda no chão”.
Rabi Chanina foi mais longe: “Basta curvar a cabeça”.
E Raba arrematou: “Sim, mas só se não lhe causar dores”.

E são mesmo Dezoito Bênçãos?!

Rabi Levi disse: "Tem mais uma, a Bircat haMinim. Mas ela só foi instituída em Iavne, depois da destruição do 2º Templo, quando as perseguições romanas aumentaram e, como se isso não bastasse, passamos a ter entre nós gente que vem e tenta nos convencer de que agora vivemos um novo tempo, em que não é preciso mais fazer brit milá (circuncisão ritual), nem mitsvot (mandamentos religiosos), nem nada. Basta acreditar que o Mashiach já veio! Meus colegas, nestes tempos cruciais, a Bircat haMinim é parte integrante de nossas orações. Que Deus nos proteja - destes e daqueles!" 
Os outros se olharam e perguntaram: "Mas ela corresponde a que?"
Rabi Hilel, filho de Rabi Shmuel bar Nachmani, disse: “Corresponde a “El hacavod hir’im, do Salmo 29 do Rei David".
Os demais se olharam novamente e entenderam o recado. Hir'im, se lido de outro modo, soava como "haraím", os maus. A benção buscava proteger os judeus daqueles que, de um modo ou de outro, não os queriam bem, ou não os aceitavam como eram, com suas crenças e tradições já milenares.
Rav Iossef reforçou o sentido e afirmou: "Ela corresponde ao “Echad” (Um) da leitura do Shemá! Para deixar claro a quem entrar em nossas sinagogas e centros de estudos que para Israel, o Eterno é nosso Deus - e nosso Deus é Um só".
Rabi Tanchum relembrou e reforçou o que dissera antes, daquilo que aprendeu com Rabi Iehoshua ben Levi: “Corresponde a uma pequena vertebra no fim da espinha. Devemos nos abaixar até lá, até a última. E se doer? é para nos lembrarmos de que existem dores piores que não estamos dispostos a suportar".

Nossos sábios ensinaram que Shimon HaPaculi foi quem organizou as Dezoito Bênçãos originais, diante de Raban Gamliel, em Iavne.
Raban Gamliel perguntou aos sábios: “Não tem ninguém que possa compor a Bircat haMinim? Ela não deve ser uma benção vinda de outro lugar que não seja do coração. Não queremos mal aos outros, somente queremos distância daqueles que não nos querem bem. Quem se voluntaria?"
Shmuel HaKatan, o Pequeno, levantou-se e se voluntariou a compor a Bircat haMinim.
Conta-se que no ano seguinte ele a esqueceu e não a pronunciou. mas isto é uma outra história. 
Parashá da Semana: Tetsavê - Entre Nós: O Sagrado está na Relação
Uri Lam, para o boletim Congregar, da CIP

Rabi Chanina disse: “Virá o santo, e entrará no que é santo, irá se aproximar do que é santo, e expiará em favor de todos os santos”. (Midrash Raba: Tetsavê 38, 7)

Impressionante a capacidade de certos sábios de resumir uma parashá inteira em uma única oração. Mais impressionante ainda é a capacidade de atiçar a nossa curiosidade para a leitura da Torá desta semana. Afinal, do que Rabi Chanina está falando? Desde quando temos santos no povo judeu? Isso não é um tema judaico!, dirão alguns.
A questão da kedushá, da santidade, é parte integrante da vida judaica. Nós rezamos todos os dias na Amidá, a grande oração de nossos serviços religiosos, a inserção da Kedushá: “Cadosh, Cadosh, Cadosh, Ad-nai...” – Santo, Santo, Santo, o Eterno... (Isaías 6:3).  Não é incomum escutarmos de certas pessoas que seu intuito pessoal é ter uma vida santa. Como se faz isso? Um grande amigo me disse uma vez que “os rabinos, quando escrevem seus comentários sobre a Torá, têm uma enorme capacidade de criar boas perguntas, mas em geral não têm boas respostas”.
Vejamos o que nos conta a Torá nesta semana. Deus diz a Moisés para que dê uma ordem aos israelitas: “Tragam o mais puro azeite para manter continuamente acesa a luz no Ohel Moed, a Tenda da Reunião.” Em seguida a nossa leitura se concentra nos cohanim, os sacerdotes. Quais devem ser suas vestimentas e ornamentos, como estes devem vesti-los, como devem se portar. Tudo parece centrado neles, como se coubesse apenas ao líder religioso a obrigação de levar uma vida inspirada pelo sagrado: “E as vestimentas de santidade de Aarão depois serão para seus filhos... e serão consagrados com elas” (Êxodo 29:29).
Em diversas tradições, o líder religioso é vestido e investido por sua comunidade de uma condição especial. Alguns o chamam de pastor, outros de homem de Deus, outros ainda de sábio, guru, mestre. Atribui-se a estes homens e mulheres uma espécie de poder mágico, a capacidade sobre-humana de intervir junto a Deus em favor dos demais. Também entre nós, no povo judeu, esta prática é largamente adotada.
Nesta hora surge Rabi Chanina e nos diz que ninguém é santo sozinho. O rabino da época do Talmud estende a condição do sagrado desde a terra até os céus: “Virá o santo – Aarão; e entrará no que é santo – o micdash, o espaço sagrado; irá se aproximar do que é santo – Deus; e expiará por todos os santos - Israel”. A condição do sagrado não é uma exclusividade do líder religioso. O sagrado é inclusivo, construído e instaurado na dinâmica das relações entre o indivíduo, o lugar em que vive, Deus, e sua comunidade.
No mesmo midrash conta-se que, ao observar o sacerdote em suas roupas no mais sagrado dos espaços e no mais sagrado dos dias, o Iom Kipur, Deus não se recorda dos próprios méritos, nem da santidade do local, tampouco dos méritos do sacerdote. Deus se recorda dos méritos das tribos, do povo.
Em seu comentário para a parashá Tetsavê, o livro do Zohar - que a tradição atribui a Shimon bar Iochai - praticamente não se refere aos cohanim. Entre suas diversas vozes, escutamos a de Rabi Itschac: “A luz do alto e a luz de baixo são uma só, e o seu nome é ‘Tu’” (Tetsavê, 1). O Zohar se antecipa por séculos à brilhante obra de Martin Buber, “Eu-Tu”, que estabelece que o sagrado não está em mim nem em você, mas no verdadeiro encontro entre nós, num instante e local precisos. O sagrado está na relação: “Morarei entre os filhos de Israel e serei para ele Deus (Êxodo 29:45).
A luz permanecerá acesa enquanto alimentarmos em nossas relações – entre a comunidade, lideranças religiosas, o espaço em que nos reunimos e Deus – o processo contínuo de construção e manutenção do sagrado.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Rabinos, professores e escritores israelenses: Projeto de lei que garanta verba para batê midrash (centros de estudos) judaicos pluralistas

Dezenas assinaram um documento que convoca comissão legislativa para permitir o reconhecimento de batê midrash democráticos e que recebam verbas estatais: “O objetivo é contribuir para reforçar a identidade judaica”

Kobi Nachshoni, 03/02/2011, jornal Yediot Acharonot

Trad.: Uri Lam

Dezenas de rabinos e líderes espirituais assinaram o documento que convoca o secretário de cultura Limor Livnat e membros da Comissão de Constituição para aprovar a proposta de lei que reconheça os batê midrash judaicos democráticos. A proposta, enviada pelo membro da Knesset Zevulun Orlev e a rede de Batê Midrash, destina-se à tarefa de fornecer verbas a estas instituições. Entre os signatários estão os professores Zeli Gurevich, Ariel Hirshfeld, Ioram Yuval, Iedidia Stern, Avigdor Sheinan e Iuli Tamir; os escritores Shimon Adaf, Chaim Beer, Iochi Brandes e Chaiota Deutsch; e os rabinos Beni Lau, Michael Melchior, Yuval Sharlev e Shai Peiron.

Os signatários concordam que “a finalidade dos centros de estudos é contribuir para reforçar a identidade judaica e o estabelecimento de valores israelenses comuns aos judeus em Israel e no mundo, ligados à cultura atual, à herança judaica e ao renascimento do povo judeu em sua terra”. No projeto de lei está escrito que os Batê Midrash atuam junto a um público diversificado – religioso, tradicional e laico – “dentro de uma riqueza capaz de ensinar a diversidade explícita da cultura do povo de Israel ao longo de suas gerações, através da comparação e da criatividade interpretativa, que geram a produção de uma relação pessoal entre aquele que aprende e as fontes de referência judaicas”.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O rabino e as "Artimanhas de Scapin", de Moliére - em Jerusalém
Estive ontem com o rabino Sebastian (“Seba”) Weinstein, da AIP – Asociacion Israelita de las Pampas, Argentina. Conversamos muito sobre a realidade das comunidades judaicas reformistas/progressistas em Israel e de como podemos estreitar o contato com o intuito de dar suporte a comunidades judaicas liberais na América Latina.
Em meio a temas sérios, recebemos ingressos para a peça de Moliére. Além do brilhantismo do autor francês do séc. 17,  do humor sarcástico e da sempre atual crítica social, o texto foi traduzido pelo grande autor israelense contemporâneo Nathan Alterman. A mesma peça foi traduzida para a lingua portuguesa por ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade. a apresentação foi no teatro do Mercaz Shimshon, em Jerusalém.
É uma delícia poder visitar obras de autores consagrados no mundo inteiro encenadas em hebraico e os atores e atrizes são excelentes. 
Scapin é um sujeito divertido, inteligente e manhoso, que busca ajudar dois jovens, filhos de senhores muito ricos, a se casarem com duas jovens lindas, mas vindas de famílias pobres. Os pais não darão um tostão furado para que seus filhos se casem com estas jovens. Scapin então usa de toda a sua habilidade para "enrolar os velhos" e convencê-los a liberar o dinheiro. A confusão está montada. 
Para quem acha que não há vida cultural na capital israelense, Moliére se diverte e aponta o quanto é bom rirmos de nós mesmos de vez em quando. Também em Jerusalém as pessoas podem sair à noite - aliás, com muito mais segurança do que em São Paulo, por exemplo - e voltarem para casa com um sorriso nos lábios.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Parashat Hashavua (leitura semanal da Torá): Terumá
originalmente publicado no semanário "Congregar" da CIP em 2010
Uri Lam 
Façam-me um Santuário, e lá estarei presente com vocês
Era uma vez um rei que tinha uma única filha. Certo dia um nobre veio visitá-lo e se apaixonou perdidamente por ela. Conversou com o rei, declarou sua intenção de casar-se e levá-la para sua casa. O rei respondeu: “Meu caro, a sua noiva é a minha única filha. Não posso me separar dela, mas também não posso lhe dizer que não a leve com você”.
E agora, a filha fica ou a filha vai? Este é um dilema comum no nosso dia a dia, em nossas vidas. Quando um casal se apaixona e decide se casar ou viver junto, é natural que queira construir o seu próprio lar fora da casa dos pais. Mas para o pai e para a mãe todo filho é filho único, mesmo que sejam muitos os filhos e filhas. E não é fácil separar-se de nenhum deles. Alguns psicólogos dizem que este é o motivo da emoção e do choro durante a cerimônia de casamento: o desejo de que o filho ou filha fique, e ao mesmo tempo o desejo que ele ou ela vá e construa a sua própria família.
E como o rei da nossa história solucionou o conflito? Ele propôs ao genro: “Você me fará um grande bem se, em todo lugar onde for morar, construir um quartinho para mim de modo que eu possa estar presente com vocês”. (Midrash Raba, Terumá) 
Aprendemos no Zohar que toda sinagoga é um santuário. Quando o povo de Israel se espalhou pelo mundo, cada um de nós foi visto por Deus como a filha única do rei. Ele sabia que tínhamos que partir, mas ao mesmo tempo não abria mão de ficar longe de nós. Não importa se fôssemos para a Babilônia no passado ou para algum país da Europa, para os Estados Unidos, Japão ou Índia, para a Argentina ou Brasil. Onde quer que criássemos nossas famílias, Deus só pediu que lá houvesse um quartinho para Ele, de modo que pudesse estar junto de nós.
A sinagoga é este quartinho. Mas não é o único aposento da casa. Nossa congregação, ao longo de seus quase 74 anos, construiu muitos outros espaços: a escola judaica, os movimentos juvenis, o Lar das Crianças, o departamento de pessoal e financeiro, a Idade de Ouro, a cozinha, salões de festas e de reuniões, a bolsa de empregos, a Chevra Kadisha, a sala da música, a biblioteca, a comunicação, o rabinato, o culto, a lojinha, uma casa no campo, até mesmo um site, o nosso espaço virtual na Internet. Deus tem o Seu quartinho, cujas portas estão abertas para todos os moradores e convidados, mas certamente circula por todos os demais cantos desta enorme Casa Israelita Paulista. 
No midrash, quando o rei propôs ao futuro genro que construísse um quartinho para ele no novo lar, a sua intenção era clara: ele não queria ficar sozinho, mas sim perto da família. O Zohar nos conta que quando a Shechiná se aproxima e vem à sinagoga mas as pessoas não vêm, Ela se pergunta: “Por que Eu vim e não tem ninguém?” De nada adianta uma casa linda, com um quarto de rei, se não houver gente circulando, rezando, estudando, conhecendo-se, doando-se, trabalhando. De nada adiantam os quadros mais lindos e a melhor infraestrutura se não houver crianças brincando, jovens dançando, música tocando – e tudo isso em harmonia, em uma mesma respiração de um único ser vivo: o povo de Israel.
Tudo o que esta congregação nos proporciona nos foi dado como o legado de uma tradição milenar que está à nossa disposição. Como diz um amigo querido, os direitos autorais do que temos aqui nos foram entregues por Deus e pertencem ao povo judeu. A terumá, a doação que Ele espera de nós, é a nossa presença nesta casa, é ocupar o espaço, homens e mulheres, crianças e adultos de todas as idades, para levarmos ao limite e colocarmos em prática todo o potencial colocado ao nosso dispor.
Deus nos deu a Sua Torá e nos pediu para não a abandonarmos. Nossa retribuição é dar à Presença Divina, à Shechiná, a nossa presença, as nossas ações. Se assim for, Deus estará sempre presente e feliz em viver na mesma casa que nós.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Filha Perdida do Rei - Parte 1
Rebe Nachman de Breslav,  do livro Sipure Maassiot, Primeira História
tradução: Uri Lam, jan. 2011/ Shevat 5771

Respondeu e disse: No caminho contei um caso, e todo aquele que escutou, refletiu sobre se voltar a Deus. Esta é a história:
Era uma vez um rei que tinha seis filhos e uma filha – e esta filha lhe era muito importante. Ele a considerava muito querida e tinha muito prazer em estar com ela.
Certa vez, quando estava junto dela em um determinado dia, ficou irritado com ela e da sua boca escaparam estas palavras: “Der Nit Guter zal dich nemen - O Mal que lhe carregue!” À noite ela foi para o seu quarto e pela manhã ninguém sabia onde estava. Seu pai ficou muito triste e saiu para procurá-la lá e acolá.
Ao ver o quanto o rei estava entristecido, o vice-rei levantou-se e pediu para que lhe dessem um ajudante, um cavalo e dinheiro para as despesas - e partiu em sua busca. Ele a procurou muito, por muito e muito tempo, até que a encontrou (agora eu conto como ele a procurou até encontrá-la).
Ele andou de um lugar para outro por muito tempo – nos desertos, nos campos e nos bosques - e continuou a procurá-la por muito tempo mesmo. Ao caminhar pelo deserto, viu uma trilha lateral e pensou consigo mesmo: “Uma vez que eu tenho andado por tanto tempo pelo deserto e não pude encontrá-la, seguirei por esta trilha. Talvez alcance algum povoado.” E continuou andando por muito tempo.
Depois viu um castelo (que se chama Shlass) com alguns soldados em guarda permanente em torno dele.
O castelo era muito agradável, bem construído e organizado, com seus soldados. Ele temeu que estes não o permitissem entrar, mas pensou consigo mesmo: “Eu irei e tentarei.”
Deixou seu cavalo e seguiu até o castelo. Eles o deixaram entrar e nem foram ao seu encalço. O vice-rei andava de sala em sala e ninguém o seguia, até que alcançou um grande salão e observou que lá estava o rei e sua coroa, com tantos soldados lá e outros tantos cantores com instrumentos diante dele. Aquele lugar era muito agradável e bonito. Nem o rei nem ninguém o questionaram em nada.
Ali ele viu iguarias e boa comida. Levantou-se, comeu, saiu e deitou-se em um canto para ver o que aconteceria. Viu que o rei deu uma ordem para que trouxessem a rainha e eles a trouxeram. Houve muito estardalhaço e grande alegria ali. Os músicos tocavam e cantavam muito enquanto traziam a rainha. Colocaram para ela um trono e a fizeram sentar-se nele, junto ao rei. Era a princesa. E ele, o vice-rei, a viu e a reconheceu.
Depois a rainha observou e notou alguém deitado num canto e o reconheceu. Ela ergueu-se do trono, dirigiu-se até ali, tocou-o e perguntou: “Ei, você me conhece?”.
E ele respondeu: “Sim, eu lhe conheço. Você é a filha do rei que está perdida. Como você chegou até aqui?”.
“Foi quando meu pai, o rei, deixou escapar de sua boca aquelas palavras; e aqui, este lugar, é o lugar do Mal”.
Ele contou para ela que seu pai estava muito triste, que a procurava há muitos anos, e perguntou: “Como posso tirar você daqui?”.
Ela respondeu: “É impossível você me tirar daqui, a menos que escolha para si um lugar e fique lá por um ano. Durante o ano inteiro você sentirá saudades e desejará me tirar daqui. Por todo o tempo que você tiver livre, sentirá somente saudades, e pedirá, e ansiará para me tirar daqui. Você irá jejuar. No último dia deste ano você deve estar em jejum e sem dormir por nenhum instante.” Ele foi e assim o fez.
Ao passar um ano, no último dia, ele estava em jejum e não dormia. Então se levantou e foi até lá. No caminho viu uma árvore da qual cresciam maçãs belíssimas. A vista era muito tentadora e ele parou para comer uma delas. Assim que comeu a maçã, caiu em sono profundo. Ele dormiu durante muito tempo. Seu ajudante tentava acordá-lo, mas ele não acordava.
Finalmente despertou de seu sono e perguntou ao ajudante: “Onde estou eu no mundo?”
O ajudante contou ao vice-rei o que havia acontecido: “Você dormiu por muito tempo, por alguns anos, e eu me mantive com os frutos”.
O vice-rei ficou extremamente entristecido consigo mesmo. Partiu para lá e a encontrou, mas ela estava muito triste com ele: “Porque se você tivesse vindo naquele dia, teria me tirado daqui, e por causa de um único dia você fracassou! Verdade que não comer é algo muito difícil, especialmente no último dia, pois é quando o mau impulso se fortalece mais”.
A filha do rei lhe disse que agora faria uma exigência mais branda e que não mais o advertiria para não comer, porque isso é muito difícil de cumprir: “Assim sendo, volte a escolher um lugar para você, fique lá também por um ano, como antes, e no último dia você poderá comer; só não pode dormir nem beber vinho, para que não adormeça, porque o principal é o sono”. Ele foi e assim o fez. 
A Filha Perdida do Rei - Parte 2

No último dia, quando seguia para lá, viu um líquido fluindo pela terra cuja coloração era avermelhada e seu aroma era de vinho.
O ajudante lhe perguntou: “Você viu este líquido fluindo? Imagina-se que dela flua água, mas de cor vermelha e aroma de vinho?!”
Ele foi, provou da fonte e caiu imediatamente em sono profundo, por muitos anos, por setenta anos! Muitos soldados passaram por lá, com suas carroças de pertences (que se chamam obazin) logo atrás deles. O ajudante escondeu-se dos soldados. Depois veio uma carruagem e outras carroças, e lá se sentava a filha do rei. Ela parou perto dele, desceu, sentou-se ao seu lado e o reconheceu. Ela o agitou muito, mas ele nem se mexeu.
A princesa passou a se lamentar: “Por tantas tentativas e empecilhos enormes que ele teve, por tantos e tantos anos, para me tirar daqui, e por causa deste mesmo dia em que poderia ter me tirado, ele fracassou”.
Ela chorou muito por isso, “mas que pena dele e de mim, pois estou tanto tempo aqui e não posso sair.” Em seguida a princesa retirou o fátsheile (lenço) de sua cabeça, escreveu sobre ele com suas lágrimas, deixou ao lado dele, subiu e sentou-se em sua carruagem - e seguiu viagem.
Algum tempo depois o vice-rei despertou e perguntou ao ajudante: “Onde eu estou no mundo?”.
O ajudante lhe contou todo o ocorrido – que muitos soldados haviam passado por lá, que uma carruagem estivera ali, e que ela chorava muito por ele e gritava de pena por ele e por ela, e que logo depois disso ele despertou.
O vice-rei viu o fátsheile, o lenço, colocado ao seu lado, e perguntou: “De quem é isso?”.
Respondeu-lhe que ela escrevera sobre ele com suas lágrimas. Ele pegou o lenço, ergueu-o contra o sol, passou a enxergar as letras, leu o que lá estava escrito, todas as suas queixas e lamentações - e que neste momento ela já não estava lá naquele castelo. Em vez disso, que ele procurasse por uma montanha de ouro com um castelo de pérolas – “Lá você me encontrará!”.
Ele liberou o ajudante, deixou-o partir - e seguiu sozinho a procurar pela filha do rei. Andou muitos anos procurando por ela. Pensou consigo mesmo que logicamente a montanha de ouro com o castelo de pérolas não podem ser encontrados em nenhum povoado – pois ele era especialista em Mapa Mundi (que se chama Land Kart): “Por isso irei aos desertos”. E saiu a procurá-la pelos desertos por muitos e muitos anos.
Em seguida viu um homem enorme, que por definição não poderia ser humano de tão grande que era. O homem carregava uma grande árvore – em nenhum povoado havia árvore que se comparasse àquela.
O homem perguntou: “Quem é você?”.
Respondeu-lhe: “Eu sou um homem”.
O outro se surpreendeu e disse: “Porque faz tanto tempo que estou no deserto, e nunca vi um homem por aqui”. Então lhe contou todo o ocorrido anteriormente e que procurava por uma montanha de ouro com um castelo de pérolas.
Disse-lhe: “É lógico que isso não existe”, desencorajando-o. E seguiu dizendo que ele havia sido enganado por uma bobagem, pois era óbvio que uma coisa assim não existia em lugar nenhum.
O vice-rei começou a chorar muito: “Com certeza ele existe em algum lugar!”
O homem estranho que o machucou ao desencorajá-lo com suas palavras disse: “Não há dúvidas de que o que lhe disseram é uma bobagem”.
Mas o vice-rei respondeu: “Estou certo de que existe”.
O homem estranho disse para o vice-rei: “Em minha opinião isso é uma bobagem. Mas já que você é tão teimoso... Veja, eu sou o capitão de todos os animais. Por você eu convocarei a todos, pois eles se movem ao redor do mundo inteiro. Talvez um deles saiba algo desta montanha e deste castelo!” Convocou todos, do menor ao maior – todos os tipos de animais – e lhes perguntou - e todos responderam que nada viram. Então lhe disse: “Veja a bobagem que lhe contaram. Escute-me, volte de onde veio, é óbvio que você não irá encontrar, porque isso não existe no mundo”.
Mas o vice-rei insistiu muito e disse que este lugar obrigatoriamente deve existir, com certeza.
O homem estranho respondeu para o vice-rei: “Veja, lá no deserto está meu irmão. Ele é o capitão de todas as aves. Talvez elas saibam, porque elas voam alto no ar. Talvez tenham visto a montanha com o castelo. Vá e diga que eu mandei você até ele”.
O vice-rei continuou a procurá-la por muitos e muitos anos. Então outra vez encontrou um homem tão imenso quanto encontrara antes, carregando uma árvore tão enorme quanto antes. O homem lhe fez as mesmas perguntas feitas anteriormente, o vice-rei tornou a contar tudo o que ocorrera e que fora o irmão dele o enviara. Mas também este o desencorajou, porque era óbvio que este lugar não existia. Porém o vice-rei insistiu.
Então este segundo homem disse ao vice-rei: “Veja, eu sou o capitão de todas as aves. Irei chamá-las, talvez elas saibam.” Ele chamou todas as aves e perguntou a todas elas, da menor até a maior. Elas responderam que nada sabiam sobre uma montanha como um castelo, como antes.
O homem disse ao vice-rei: “Você não percebe o quanto é óbvio que este lugar não existe em canto algum do mundo? Se quiser me escutar, volte de onde veio, porque com certeza isso não existe.”
Mas o vice-rei insistiu e disse: “É claro que ele existe no mundo”.
Então este segundo homem disse para o vice-rei: “Mais adiante no deserto está meu irmão, que é o responsável por todos os ventos – e eles percorrem o mundo inteiro. Talvez eles saibam”.
A Filha Perdida do Rei - parte final

O vice-rei continuou por muitos e muitos anos a procurar, até que encontrou um homem também imenso como os anteriores, que também carregava uma árvore enorme como os anteriores. O homem fez as mesmas perguntas que os outros e o vice-rei voltou a contar para ele tudo o que ocorrera como já fizera anteriormente. Também este o desencorajou, mas o vice-rei insistiu outra vez.
Então o terceiro homem disse para o vice-rei que por ele convocaria todos os ventos e os consultaria. Ele os convocou e todos os ventos vieram. Ele perguntou a todos eles, mas nenhum sabia de tal montanha nem castelo, como antes.
O terceiro homem disse para o vice-rei: “Você não percebe a bobagem que lhe contaram?”
O vice-rei começou a chorar muito, e disse: “Eu sei que existe, tenho certeza!” Enquanto isso, viu que outro vento havia chegado.
O capitão dos ventos estava muito irritado com este vento: “Porque você se atrasou em chegar? Eu não determinei que todos os ventos deveriam vir? E por que você não veio com eles?”
Ele respondeu: “Eu me atrasei porque precisava levar uma princesa até uma montanha de ouro e a um castelo de pérolas”. O vice-rei ficou muito feliz.
O capitão dos ventos perguntou ao vento: “O que há de precioso lá (ou seja, que coisas lá são consideradas valiosas e importantes)?”
O vento respondeu: “Tudo lá é muito precioso”.
O capitão dos ventos disse ao vice-rei: “Uma vez que você já há muito tempo tem procurado por ela e pelo tanto de esforços que você já fez, talvez agora esteja com dificuldades financeiras. Por isso eu lhe ofereço este recipiente; quando você colocar a sua mão dentro dele, receberá o dinheiro que precisar”.
E mandou que o vento o levasse até lá. O vento da tempestade veio, carregou-o até lá e o levou até o portão. Lá havia soldados que não permitiram a entrada na cidade, mas ele colocou a mão no recipiente, retirou algum dinheiro, subornou-os e assim entrou na cidade – e era uma cidade muito agradável.
O vice-rei chegou até um nobre e pagou pela estadia, pois era preciso ficar lá e seria necessário grande sabedoria e inteligência para tirar a filha do rei dali.
E como ele a tirou? Ele não contou. Mas no final a tirou.
(Releia desde o início e você irá perceber metáforas maravilhosas nesta história).

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

14 De Dezembro de 2010
Ao Primeiro-Ministro de Israel, Binyamin Netanyahu
Gabinete do Primeiro-Ministro
Kiryat Hamemshalá
Jerusalem, Israel
Prezado Sr. Primeiro-Ministro,
Nós estamos profundamente gratos a você, como já dissemos anteriormente, por sua posição sobre o Projeto de Lei sobre conversões do parlamentar da Knesset, David Rotem, que foi apresentado no verão passado. A sua boa vontade em pedir um “congelamento” para esta legislação a fim de encontrar uma solução aceitável para todos os lados foi saudada por nós e pelos judeus em todo o mundo.
Nós também queremos expressar o nosso forte apoio aos esforços atuais do parlamentar Rotem para preservar as possibilidades de conversão para aqueles que servem na Tzahal (Exército de Defesa de Israel).
No entanto, estamos muito preocupados com relatos de que os Projetos de Lei Rotem I e II estão sendo ligados e que o apoio para o primeiro projeto de lei será uma condição para que o segundo projeto de lei seja aprovado. Continuamos a ser fortemente contrários, em quaisquer circunstâncias, ao projeto de lei Rotem original tal como está escrito no momento. A grande maioria dos judeus americanos é contra esse projeto de lei, assim como a maioria dos judeus em todo o mundo.
Em seu emocionante discurso em Nova Orleans, o senhor expressou as suas próprias preocupações sobre a legislação e a necessidade de preservar a unidade judaica. Nas suas palavras: “Qualquer judeu, de qualquer denominação, terá sempre o direito de voltar para casa, para o Estado Judeu. Pluralismo religioso e tolerância sempre orientarão a minha política”, inspirou nossas comunidades.
Natan Sharansky, ao seu comando, tem feito um trabalho excepcional em tentar encontrar uma solução justa, e estamos ansiosos para ver este trabalho seguir adiante.
Você falou eloquentemente sobre os perigos com os quais Israel se confronta. Nossos movimentos, unidos a judeus de toda parte, trabalham todos os dias para defender Israel contra as ameaças de um Irã nuclear e das campanhas de demonização deslegitimação  dirigidos contra o Estado Judeu.
Pedimos que você, Sr. Primeiro-Ministro, se oponha aos esforços legislativos que nos dividem.  Nestes tempos perigosos para o Estado de Israel e para o Povo Judeu, trabalhemos naquilo que nos une. 
União pelo Judaísmo Reformista (URJ)
Conferência Central dos Rabinos Americanos (CCAR)
Associação Reformista Sionista da América (ARZA)
União Mundial pelo Judaísmo Progressista (WUPJ)
Movimento Israelense pelo Judaísmo Progressista (IMPJ)
Federação Internacional de Sionistas Religiosos Reformistas e Progressistas (ARZENU)
Sinagoga Unida pelo Judaísmo Conservador
Assembleia Rabínica
Fundação Masorti
Movimento Masorti de Israel
MERCAZ USA
MERCAZ Olami
Conselho Mundial das Sinagogas Conservadoras/Masortis (Masorti Olami)