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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Guma Aguiar - de volta a Israel

O judeu americano de origem brasileira Guma Aguiar voltou para Israel.
por algum motivo que nao sei qual é, quase todos os dias alguém visita meu blog em busca de informações sobre este que é um dos maiores patrocinadores de iniciativas esportivas, beneficentes, sociais e judaicas - em especial o programa Taglit e o Beit Chabad.
Pois encontrei um video recente sobre Guma Aguiar, saudável, e aparentemente de volta com alegria e com seu apoio incondicional às instituiçoes com as quais se identifica.
Já visto como "o salvador da Pátria" por alguns, como figura excêntrica e ideias megalomaníacas por outros, Guma passou por tantas pressões que acabou, ao que parece, tendo surtos psicóticos que o levaram a afirmar, por exemplo, que havia entrado em Gaza e libertado o soldado Guilad Shalit - até hoje cativo nas mãos do Hamas, em Gaza.
Seja o que for, sem conhecê-lo, tenho grande simpatia por Guma Aguiar. Ele realmente ama Israel, ama o clube Betar de Jerusalém, que segue apoiando, ama o Beit Chabad, que o acolheu nos momentos mais difíceis.
Para quem for que visita o site em busca de informações, eis um belo vídeo, mostrando o Guma que Israel aprendeu a gostar, por sua simpatia e pelo apoio, com todas as suas forças, em favor das causas que lhe falam ao coração.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Congregar (CIP) Parashát Balac
A Torá do lado de fora e nós do lado de dentro? 
Uri Lam

Durante uma aula de Talmud nos foi pedido para escrever, na língua materna, o que viesse à mente sobre a frase: “A Torá do lado de fora e nós do lado de dentro”. Ao apresentar o que escrevi, em vez da ‘tradução simultânea’ para o hebraico, me foi pedido para ler... em português. Eu falava aos colegas numa língua que eles não entendiam. A sensação era perturbadora, pois por um lado me senti dono de uma informação à qual eles só teriam acesso se eu quisesse. Mas também me senti sozinho dentro de mim, com a Torá do lado de fora.
Foi quando me deparei com esta estranha passagem do Talmud: “Moisés escreveu o seu livro [a Torá] e a parashat Bilam” (Baba Batra 70b). Afinal, o relato de Bilam está dentro ou fora da Torá? Mas se nesta semana lemos na Torá que Bilam foi assediado por Balac, rei de Moav, para amaldiçoar o povo de Israel e no fim o abençoou com “Quão boas são as tuas tendas, Jacob, as tuas moradas, Israel”, o Ma Tovu que cantamos quando entramos na sinagoga!
Conta-se que Rabi Meir e Rabi Natan, desgostosos com Raban Shimon ben Gamliel, tramaram derrubá-lo do cargo de presidente do Bet Midrash (casa de estudos), mas o golpe fracassou e Shimon ben Gamliel ordenou que fossem expulsos, colocados para fora. No entanto, os dois contribuíam tanto para a compreensão da Torá que Rabi Iossei protestou: “A Torá fica do lado de fora e nós do lado de dentro?!” Shimon ben Gamliel decidiu que eles poderiam retornar ao Bet Midrash, mas de agora em diante os ensinamentos de Rabi Meir seriam citados como “acherim” (os outros) e os de Rabi Natan como “iesh omrim” (há quem diga) (Talmud, Horaiot 13b). Foi o modo encontrado para que a Torá deles permanecesse dentro da sabedoria judaica.
Mas e Bilam, o que alguém como ele, pronto para nos amaldiçoar, faz dentro da Torá? Ele é um profeta à altura de Moisés, o que levou Balac a convocá-lo como a derradeira chance de derrotar Israel. Onde está a diferença? Moisés faz o que Deus ordena, às vezes concorda, outras vezes discute ou se cala, mas age com integridade: ele faz o que pensa que deve ser feito. Bilam faz o que Deus ordena, mas o que faz nem sempre é o que pensa que deveria ser feito. Moisés ama os animais; o amor por seu rebanho o leva a encontrar Deus. Bilam maltrata o burro que só faz servi-lo, a ponto do animal ter que falar “o que eu te fiz para você me bater três vezes?” para Bilam entender que este salvara a sua vida. Em outras palavras: a Torá de Moisés − a sua relação com Deus, com os seres humanos e com as criaturas – é completamente diferente da Torá de Bilam.
Mesmo assim, lemos esta semana o relato sobre Bilam. Dentro da Torá. Mesmo que o Talmud diga que Moisés escreveu a sua Torá e o relato de Bilam em separado, é fato que Moisés não deixou a “Torá de Bilam” de fora da sua Torá. Que bom. O mesmo Bilam que poderia ter sido um pesadelo para Israel foi quem nos brindou com o Ma Tovu.
Conta-se que quando Amimar, Mar Zutra e Rav Ashi estavam juntos, foi proposto que cada um dissesse aos demais algo que jamais haviam escutado antes. Um deles falou: “Quem tiver tido um sonho e não souber dizer o sonhou, levante-se e diga: “Senhor do Universo... entre os sonhos que tive, dos que precisarem de cura, que sejam curados como pelas águas amargas das mãos de Moisés... e assim como Você fez com que a maldição de Bilam se tornasse uma benção, faça com que meus sonhos venham para o bem.” (Talmud, Brachot 55b)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Uma simpática entrevista com Alejandro Eliahu

Esta simpática entrevista com Alejandro foi realizada na sinagoga Birkat Shalom, no Kibutz Gezer, em Israel. Alejandro é judeu espanhol e vem de uma família de bnei anussim, do que tem muito orgulho. Até poucos meses atrás vivia em Barcelona, onde faz parte de uma comunidade judaica liberal. Ale pensa no futuro em tornar-se rabino. Que Deus (e os amigos) lhe dê forças e coragem para esta empreitada, para que possa contribuir muito com a comunidade judaica na Espanha ou onde quer que os ventos o levem. Precisamos de mais gente como Alejandro.
abraços a todos.

domingo, 23 de maio de 2010

Ao querido Iotam, direto do nosso pequeno submarino amarelo
Há um ano, conforme o calendário judaico, escrevi este comentário para a parashá Behaalotechá, que lemos nesta semana. Há um ano estive em uma cerimônia de bar mitsvá linda, talvez a mais linda de todas, o bar mitsvá de Iotam, na sinagoga Moreshet Avraham, em Jerusalem.
Há um ano Iotam me inspirou a escrever o texto abaixo, para o folheto Congregar da CIP.
Há poucos dias, Iotam voltou à minha lembrança, carregado por outras boas lembranças de outros tempos que se fizeram presentes novamente.
Hoje, recebi este comentário por e-mail. 
Que bom que destas lembranças e vivências, vem momentos bons.
Uma boa semana a todos.

Parashat Behaalotechá
O que têm a ver uma antiga arca, um candelabro de ouro e um submarino amarelo?
Uri Lam, para o Congregar, CIP [13 de Junho de 2009/ 21 de Sivan de 5769]
Era uma vez uma antiga arca. Alguns acham que sempre esteve cheia de objetos e pergaminhos, de reis e leis, de princesas e soldados, de profetas e inimigos. Homens e mulheres continuam até hoje tomando para si o que consideram importante da arca. Outros acham tudo isso uma loucura. Tem quem diga que está bem guardada em algum país da África, ou nos porões do Vaticano, ou ainda no deserto da Judéia, não, em Petra, na Jordânia. Nos séculos 19 e 20, muita gente esclarecida considerava a arca um museu abandonado e às escuras, no fundo de um oceano de ignorância. 
Eis que no século 21 a antiga arca dá sinais de que ainda tem muitos tesouros a revelar. Um museu de grandes novidades. Basta acender a luz e passear pelas estantes empoeiradas, navegar pelas bibliotecas virtuais ou experimentar fortes emoções nas máquinas do tempo espalhadas por seus andares. É virar e revirar que está tudo lá, dizem. 
Pois bem, a parashá desta semana vem para nos ensinar a iluminar o que há na arca. Aarão, o sacerdote, recebe de Moisés a orientação para se erguer e acender as luzes da Menorá. Nossos sábios comentam que três luminárias estavam voltadas para o oeste e três para o leste, enquanto a sétima brilhava no centro. A Menorá de ouro maciço multiplicava a luz de suas chamas e iluminava tudo ao redor.
Agora sim, com boa iluminação, podemos ler o maior tesouro da Arca, o Sefer Torá. Vamos abri-lo na parashá desta semana? Deixe-me procurar... aqui está: Behaalotechá. Estão vendo estas letras misteriosas, como se fossem dois “vav” invertidos que marcam uma conhecida passagem: Vaiehi Binsoa, “quando a Arca partia em viagem...”? (Números 10:35-36). Alguns comentaristas dizem que na verdade é um livro por si mesmo, inserido no meio do livro de Números e por isso recebeu esta marcação. Quanta coisa ainda há para conhecer, este é só o começo!
E o submarino amarelo, onde entra? Ora, ele é a nossa arca sagrada, o nosso museu de grandes novidades onde podemos estudar Torá dia e noite, independente se a maré está para peixe ou não. Quem o vê de fora o chamou de Submarino Amarelo por conta da luz dourada das chamas da Menorá que resplandece por seus vitrais. Alguns nos dão por desaparecidos, outros que o Submarino Amarelo nunca existiu, que os relatos sobre ele são parte de mitos inventados por povos muito antigos que nós, judeus, adotamos como sendo nossos e só nossos. Muitos decidem sair do submarino e nadar por conta própria, e muitos outros querem entrar. Quem sai não sabe em que águas entrará, e quem quer entrar não tem idéia de que não é fácil viver neste submarino amarelo, onde para cada dois marujos há três direções a seguir.
Há alguns anos quatro rapazes britânicos contaram ao mundo que souberam de um submarino amarelo por um viajante dos mares. Não sei de que submarino eles falavam, mas aviso aos navegantes: o nosso pequeno submarino amarelo está vivo, bem iluminado, e segue a sua rota. 

sexta-feira, 7 de maio de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

100 milhões de Shekels ou Se eu Fosse o Safra
Este é o provável prêmio da Mega-Sena acumulada para o próximo sábado no Brasil: R$ 52 milhões de reais, cerca de 105 milhões de shekels (não é por ser tantos milhões que vamos cortar 5 milhões no final só prá arredondar né?), quase US$ 30 milhões de dólares.
Se ganhar, monto a Yeshivá Progressista do Brasil com duas sedes: uma em São Paulo e outra no Rio, com 2 campi, acomodação e bolsas de estudos (para quem precisar) para estudantes de todo o Brasil. Traremos professores de Israel, EUA, Alemanha, Rússia, Argentina e, claro, do Brasil. estimativa: uns 15 milhões.
1 milhão eu investirei na edição de livros judaicos clássicos e progressistas, quem sabe as tantas edições da Torá com comentários progressistas, as edições do método TALI, o Talmud Steinsaltz com tradução para o português, todos os midrashim, o resgate dos livros e do talento de Scholem Asch, o estímulo a escritores judeus brasileiros, e por aí vai.
Uma grana boa, a definir, irá reformar a biblioteca da CIP, recuperar preciosidades do seu acervo, informatizar, atualizar e abrir ao público, como era antigamente. No meu sonho megassênico, transformarei o 5º e 6º andares da CIP em um centro cultural judaico com entrada independente da congregação - um super Beit Midrash com biblioteca, sala de pesquisa e de leitura embaixo, livraria, café a céu aberto com cadeiras e guarda-sois na cobertura e uma sinagoga envidraçada (vidros a prova de som) para ver o nascer do sol e receber o por do sol, com a luz do sol, por exemplo, ou rezar vendo as estrelas ou as gotas de chuva.
No mais, uma parte boa vai para meus pais, irmãos e respectivas famílias, e o que restar, que certamente não será pouco, será para colocar em prática meus projetos de vida, os já sonhados e os por sonhar - família, filhos, livros, árvores... e que tudo seja autosustentável, de modo que deixe uma boa reserva para que outros venham a ter com que colocar seus sonhos em dia no futuro.
Sonhando alto? :-) Se eu fosse o Safra (ou só o S do Safra), lalalalalalalalalalalalalala... :-)