atentado no assentamento de Bat Ain, Gush Etzion, ao sul de Jerusalém
O que se sabe é que um garoto de 7 anos ferido gravemente e outro de 13 anos está morto. O ataque foi a faca e machado. A polícia orienta a população da região a ficar em casa, enquanto cercam a área em perseguição ao terrorista. entende-se que a situação ainda está em andamento.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Maestrina da orquestra "Cordas da Paz" é expulsa dos territórios palestinos
A palestina Wafa Yunes foi presa e expulsa da cidade palestina de Jenin depois que sua orquestra “As Cordas da Paz" (ou, segundo o jornal haaretz, "As Cordas da Liberdade"), composta por jovens palestinos de 13 a 18 anos, se apresentou para sobreviventes do Holocausto em Tel Aviv, na semana passada, durante o “Dia das Boas Ações”.
Há seis anos Yunes desenvolvia um trabalho com jovens em Jenin – nos territórios palestinos, próximo à cidade israelense de Afula, no norte. Ela foi detida e levada à força por membros da Fatah até a fronteira com Israel, obrigada a passar a fronteira e advertida de que sua vida estaria em risco caso retornasse.
A maestrina negou que tivesse intenções políticas com sua orquestra. Disse apenas que estava muito triste e lamentava a reação ocorrida, após ter sido voluntária nos últimos seis anos. “Meu objetivo é mostrar ao mundo que os palestinos também têm cultura, que amamos a música, o idioma da paz. Espero ainda poder retornar em breve a Jenin”, disse ela.
A música sempre foi um poderoso instrumento em favor da paz, e desafiando as armas. A música também é um poderoso instrumento de sociabilização, de desenvolvimento da auto-estima. Se Isaías fosse músico, talvez tivesse dito que haveria um dia em que as armas seriam transformadas não só em arados, mas em violinos, flautas, instrumentos de percussão.
Em São Paulo, sob a batuta do maestro Cláudio Weizmann, quatro orquestras de violões já foram criadas com jovens de regiões menos favorecidas da cidade, atendidos pelo Lar das Crianças da CIP. Somente um dos exemplos de até onde a música pode chegar em favor da paz e de respeitar o direito dos jovens a um futuro melhor.
Mas deste lado do mundo, não é fácil a vida dos palestinos que buscam falar sobre paz, principalmente quando estão sob o governo palestino - mesmo do "moderado" Fatah. Que a maestrina possa encontrar segurança em Israel para, através da música, continuar falando de paz entre os dois povos.
A palestina Wafa Yunes foi presa e expulsa da cidade palestina de Jenin depois que sua orquestra “As Cordas da Paz" (ou, segundo o jornal haaretz, "As Cordas da Liberdade"), composta por jovens palestinos de 13 a 18 anos, se apresentou para sobreviventes do Holocausto em Tel Aviv, na semana passada, durante o “Dia das Boas Ações”.
Há seis anos Yunes desenvolvia um trabalho com jovens em Jenin – nos territórios palestinos, próximo à cidade israelense de Afula, no norte. Ela foi detida e levada à força por membros da Fatah até a fronteira com Israel, obrigada a passar a fronteira e advertida de que sua vida estaria em risco caso retornasse.
A maestrina negou que tivesse intenções políticas com sua orquestra. Disse apenas que estava muito triste e lamentava a reação ocorrida, após ter sido voluntária nos últimos seis anos. “Meu objetivo é mostrar ao mundo que os palestinos também têm cultura, que amamos a música, o idioma da paz. Espero ainda poder retornar em breve a Jenin”, disse ela.
A música sempre foi um poderoso instrumento em favor da paz, e desafiando as armas. A música também é um poderoso instrumento de sociabilização, de desenvolvimento da auto-estima. Se Isaías fosse músico, talvez tivesse dito que haveria um dia em que as armas seriam transformadas não só em arados, mas em violinos, flautas, instrumentos de percussão.
Em São Paulo, sob a batuta do maestro Cláudio Weizmann, quatro orquestras de violões já foram criadas com jovens de regiões menos favorecidas da cidade, atendidos pelo Lar das Crianças da CIP. Somente um dos exemplos de até onde a música pode chegar em favor da paz e de respeitar o direito dos jovens a um futuro melhor.
Mas deste lado do mundo, não é fácil a vida dos palestinos que buscam falar sobre paz, principalmente quando estão sob o governo palestino - mesmo do "moderado" Fatah. Que a maestrina possa encontrar segurança em Israel para, através da música, continuar falando de paz entre os dois povos.
O "primo" Yuval Steinitz é o novo ministro das finanças de Israel
Ontem eu soube que um parente distante, que eu mal conhecia, tornou-se ministro das finanças do novo governo israelense. É o 32º governo desde a independência em 1948, há quase 61 anos. (Exagero de mudanças políticas: média de um novo governo a cada 23 meses.)
Bom, é mais “mishpuche” (agregado à família, digamos, em tradução livre). Filho de um primo do marido da sobrinha da minha avó (pois é, eu sei). Em outras palavras: um Steinitz, que se tornou familiar dos Cukierkorn, que se tornou familiar dos Lam. Bom, é isso.
Yuval Steinitz, 50 anos, é filósofo por excelência: PhD em filosofia pela Universidade de Tel Aviv, com graduação e mestrado em filosofia pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Um filósofo no poder! Sonho de Platão. Embora tenha iniciado sua vida política nos anos 1980 ao se filiar ao Shalom Achshav (Paz Agora), de orientação pacifista e esquerdista, opôs-se aos acordos de Oslo e passou para o outro lado do espectro político, filiando-se ao direitista Likud.
Homem de confiança de Benjamin Netanyahu, o novo primeiro-ministro, Steinitz, especialista em estratégias e táticas militares, ainda não goza de muita confiança para o novo cargo – esperava-se que o próprio Bibi Netanyahu assumisse a posição. Mas há esperança de que a sua respeitada capacidade de enxergar as questões globalmente, atreladas à proximidade com o primeiro ministro, mais afeito às questões econômicas, gere um bom resultado.
Espero que sim. Israel não vive numa bolha fora do mundo, como alguns imaginam. A crise alcançou a Terra Santa também. Só nos últimos 5 meses houve uma perda de quase US$ 4 bilhões em exportações, gerando a perda de pelo menos 40 mil empregos. Em um país com 7 milhões de habitantes, é uma enormidade.
Segundo o economista Shlomo Maoz, “Steinitz é inteligente e pode trazer uma nova maneira de pensar a política econômica se estiver cercado de bons conselheiros.”
Temos muito trabalho duro pela frente”, diz Steinitz. “Agiremos com agilidade e responsabilidade, determinação, calma e critério para fortalecer a economia.”
Que o “primo” Yuval Steinitz seja bem-sucedido em domar as finanças israelenses e colocar a economia para frente de novo.
domingo, 29 de março de 2009
Israel é Brasil
reflexões sobre o ser judeu e sobre o já-foi-voltar-a-ser judeu
será que ainda neva este ano? estamos nas últimas chuvas. depois só em outubro...
e o Rubinho, ganha hoje?
Estive no Kibutz Gezer no Shabat, onde há a comunidade judaica reformista Bircat Shalom. Houve um lindo serviço religioso, com mais de 100 participantes na pequena, mas bonita, sinagoga. Tem algo de sonho em uma pequena sinagoga no campo.
Havia estudantes americanos e canadenses, israelenses de cidades próximas, como Tel Aviv e Raanana, peruanos olim chadashim de Ramle (cidade a 15 km do kibutz) e, claro, membros do kibutz e a rabina Miri Gold.
O kibutz Gezer conta hoje com 130 membros e mais um tanto de habitantes, ou seja, gente que aluga casas no kibutz, mas não é membro ativo do mesmo. Embora tenha mudado muito, a sensação de kibutz permanece - entende quem já esteve em kibutz por alguns meses, pelo menos. Muito verde, casas baixas, no máximo de 2 andares, ruas semi-asfaltadas ou de terra, gente vestida à vontade, pouca concentração, aliás, de gente. Como quase todo kibutz, ninguém sabe muito o que fazer com o cheder haochel, o refeitório, desativado. Alguns querem reativá-lo, outros sonham em transformá-lo em uma grande sinagoga (seria lindo).
O kibutz não tem campo de futebol, mas... tem o mais conhecido campo de beisebol do país. Quase todos os jogadores da seleção israelense de beisebol são de Gezer - ou de Modiin, que vêm treinar em Gezer. Kibutz de colonização americana, ma laassot:-) mas os latinos do kibutz já se movimentam para construir o primeiro campo de futebol do kibutz.
Foi emocionante encontrar os israelenses peruanos. Eles são parte daqueles judeus da Amazônia Peruana que, há alguns anos, receberam a visita de diversos rabinos conservadores e reformistas - ok, ortodoxos também - em Iquitos. Daqueles tantos, muitos imigraram para Israel e, para minha alegria, não para os territórios ocupados. Destes, alguns vêm se tornando ortodoxos; outros se aproximam da comunidade judaica reformista de Gezer, e outros ainda se tornam israelenses laicos, como a maior parte da população. São figuras!!! bigodes grandes, cabelos longos com rabo de cavalo, alguns com cabelos bem negros. Vêm compor a diversidade judaica em Israel.
Aliás, isso todo membro da comunidade judaica brasileira deveria ter como obrigatório, em uma visita a Israel: reparar que há judeus de todas as etnias possíveis e imagináveis, de todas as origens, e certamente miscigenados - com populações polonesas, russas, árabes, peruanas, brasileiras, anglo-saxônicas, japonesas, indianas, africanas, tailandesas. Impressionante, mas é assim. Neste sentido, Israel é Brasil. Quando a nossa coletividade entender isso, se entender, ao nos abrirmos, nos tornaremos mais judeus, mais próximos da realidade em Israel´.
a hipótese, como diria minha morá de matemática do Renascença, é: não se trata de assimilar-se, mas de assimilar. O que? traduza, meu caro. Em Israel milhares de descendentes de judeus que, ao terem vivido na Diáspora, casaram-se com pessoas não-judias e de algum modo se assimilaram, fazem o caminho da volta, e trazem consigo pessoas que agora assimilam os costumes judaicos, e se tornam tão judeus como nós. É como se víssemos, diante de nós, os processos que formaram as populações ashkenazi, sefaradi, italiana, mizrachi... como se tivéssemos sido congelados por algum tempo e agora estivéssemos descongelando. É uma visão, pelo menos, bem mais otimista que o alarmismo assimilacionista e sua reação de congelamento, fechamento e radicalização, reduzindo o judaísmo a uma ou duas de suas representações, e a meu ver, não as mais bonitas.
bom, um pouco de reflexão apenas. Que o povo judeu possa manter a sua diversidade, dos mais ortodoxos aos mais liberais, mas dentro dos limites do judaísmo. Que possamos também trazer nova gente para o nosso meio, no caminho inverso, assimilar, não ser assimilado. descobriremos que muitos que "se assimilarem ao judaísmo" já tinham ascendência judaica, e estão simplesmente voltando para casa. Podem vir com seus rabos de cavalo, olhos puxados, tererês, cabelos loiros claros ou escuros e lisos e crespos, peles de todos os tons e cores e jeitos, altos e baixos, gordos e magros. O judeu israelense - um mix da humanidade.
O limite é: sejam judeus - não missionários, sem essa de Yeshua, de boas novas, salvação no fim dos tempos, "união da igreja com a sinagoga"... com todo respeito, deixamos esta herança para nossos irmãos cristãos.
reflexões sobre o ser judeu e sobre o já-foi-voltar-a-ser judeu
será que ainda neva este ano? estamos nas últimas chuvas. depois só em outubro...
e o Rubinho, ganha hoje?
Estive no Kibutz Gezer no Shabat, onde há a comunidade judaica reformista Bircat Shalom. Houve um lindo serviço religioso, com mais de 100 participantes na pequena, mas bonita, sinagoga. Tem algo de sonho em uma pequena sinagoga no campo.
Havia estudantes americanos e canadenses, israelenses de cidades próximas, como Tel Aviv e Raanana, peruanos olim chadashim de Ramle (cidade a 15 km do kibutz) e, claro, membros do kibutz e a rabina Miri Gold.
O kibutz Gezer conta hoje com 130 membros e mais um tanto de habitantes, ou seja, gente que aluga casas no kibutz, mas não é membro ativo do mesmo. Embora tenha mudado muito, a sensação de kibutz permanece - entende quem já esteve em kibutz por alguns meses, pelo menos. Muito verde, casas baixas, no máximo de 2 andares, ruas semi-asfaltadas ou de terra, gente vestida à vontade, pouca concentração, aliás, de gente. Como quase todo kibutz, ninguém sabe muito o que fazer com o cheder haochel, o refeitório, desativado. Alguns querem reativá-lo, outros sonham em transformá-lo em uma grande sinagoga (seria lindo).
O kibutz não tem campo de futebol, mas... tem o mais conhecido campo de beisebol do país. Quase todos os jogadores da seleção israelense de beisebol são de Gezer - ou de Modiin, que vêm treinar em Gezer. Kibutz de colonização americana, ma laassot:-) mas os latinos do kibutz já se movimentam para construir o primeiro campo de futebol do kibutz.
Foi emocionante encontrar os israelenses peruanos. Eles são parte daqueles judeus da Amazônia Peruana que, há alguns anos, receberam a visita de diversos rabinos conservadores e reformistas - ok, ortodoxos também - em Iquitos. Daqueles tantos, muitos imigraram para Israel e, para minha alegria, não para os territórios ocupados. Destes, alguns vêm se tornando ortodoxos; outros se aproximam da comunidade judaica reformista de Gezer, e outros ainda se tornam israelenses laicos, como a maior parte da população. São figuras!!! bigodes grandes, cabelos longos com rabo de cavalo, alguns com cabelos bem negros. Vêm compor a diversidade judaica em Israel.
Aliás, isso todo membro da comunidade judaica brasileira deveria ter como obrigatório, em uma visita a Israel: reparar que há judeus de todas as etnias possíveis e imagináveis, de todas as origens, e certamente miscigenados - com populações polonesas, russas, árabes, peruanas, brasileiras, anglo-saxônicas, japonesas, indianas, africanas, tailandesas. Impressionante, mas é assim. Neste sentido, Israel é Brasil. Quando a nossa coletividade entender isso, se entender, ao nos abrirmos, nos tornaremos mais judeus, mais próximos da realidade em Israel´.
a hipótese, como diria minha morá de matemática do Renascença, é: não se trata de assimilar-se, mas de assimilar. O que? traduza, meu caro. Em Israel milhares de descendentes de judeus que, ao terem vivido na Diáspora, casaram-se com pessoas não-judias e de algum modo se assimilaram, fazem o caminho da volta, e trazem consigo pessoas que agora assimilam os costumes judaicos, e se tornam tão judeus como nós. É como se víssemos, diante de nós, os processos que formaram as populações ashkenazi, sefaradi, italiana, mizrachi... como se tivéssemos sido congelados por algum tempo e agora estivéssemos descongelando. É uma visão, pelo menos, bem mais otimista que o alarmismo assimilacionista e sua reação de congelamento, fechamento e radicalização, reduzindo o judaísmo a uma ou duas de suas representações, e a meu ver, não as mais bonitas.
bom, um pouco de reflexão apenas. Que o povo judeu possa manter a sua diversidade, dos mais ortodoxos aos mais liberais, mas dentro dos limites do judaísmo. Que possamos também trazer nova gente para o nosso meio, no caminho inverso, assimilar, não ser assimilado. descobriremos que muitos que "se assimilarem ao judaísmo" já tinham ascendência judaica, e estão simplesmente voltando para casa. Podem vir com seus rabos de cavalo, olhos puxados, tererês, cabelos loiros claros ou escuros e lisos e crespos, peles de todos os tons e cores e jeitos, altos e baixos, gordos e magros. O judeu israelense - um mix da humanidade.
O limite é: sejam judeus - não missionários, sem essa de Yeshua, de boas novas, salvação no fim dos tempos, "união da igreja com a sinagoga"... com todo respeito, deixamos esta herança para nossos irmãos cristãos.
quinta-feira, 26 de março de 2009
O Conto do Vigário – ou do Rosh
ou O Conto da Carochinha de Pessach
Charada: quando uma hagadá de Pessach não é um livro judaico?
a) quando em vez de falar da saída dos judeus do Egito, fala da morte e ressurreição de Jesus.
b) quando tem mais Jesus na “Hagadá” do que furinhos na matsá.
c) quando o vinho de Pessach vira sangue de Jesus.
d) quando as 3 matsot na mesa passam a representar pai, filho e espírito santo.
e) todas as alternativas acima.
O diálogo judaico-cristão, a meu ver, é uma conquista saudável e importante dos nossos tempos. Estão claras as diferenças entre as religiões, as tradições e interpretações do texto bíblico, os objetivos espirituais. Então o diálogo é possível, o conhecimento e respeito mútuo, a atuação conjunta em prol dos mais necessitados, como tivemos o exemplo de duas importantes organizações comunitárias, uma judaica e uma cristã, em São Paulo há pouco tempo.
Mas simplesmente não é possível fundir duas tradições milenares. Mais do que isso: é preciso dois para dançar um tango. E nós, judeus, não queremos dançar um tango com aqueles cristãos que não querem diálogo, mas sim fazem qualquer coisa - até vestir kipá e tsitsit - para que sejamos cristãos, mas acreditar em Yeshua Hamashiach, ops, Jesus. Não obrigado, muito menos enganado.
Eles tentam se vestir como judeus, usam expressões judaicas mescladas com exclamações cristãs, subvertem nossos livros e objetos religiosos. Antigamente éramos acusados, na Idade Média, de preparar o vinho e a matsá de Pessach com o sangue de crianças cristãs. Hoje certos grupos messiânicos afirmam que o vinho e a matsá de Pessach são respectivamente o sangue e o corpo de Cristo. Não dá para engolir.
Nos EUA vende-se uma “hagadá de pessach” com toda a cara de Hagadá de Pessach. Até a página 2. A partir daí ela se torna uma pregação pelo retorno de Jesus.
O grupo “Jews for Judaism” (Judeus pelo Judaísmo), do rabino Tovia Singer, protestou e conseguiu que a livraria Barnes & Noble retirasse o livro da seção judaica e o reclassificasse como cristão - nada mais óbvio. O mesmo está sendo feito junto à Amazon Books e à rede Wal-Mart. Segundo o rabino, “Eles tomam as tradições da fé judaica e as usam como instrumento para converter à fé cristã”. Conhecemos este filme no Brasil. Temos “amigos” assim. Infelizmente. Tudo feito de forma encoberta, como se fosse. Como uma antiga propaganda: “Denorex: parece, mas não é.”
Albert Passy, judeu americano, coloca bem a situação: “Entendam que esta hagadá não é feita por judeus e para judeus – mas sim por uma organização que busca converter judeus ao dizer que se pode acreditar em Jesus e continuar sendo judeu. É uma FARSA!! Por que não chamam abertamente de “Páscoa com Judeus por Jesus?”
Uma pessoa comentou assim o anúncio do livro exposto na Amazon Books: “Eu adquiri pensando que fosse mais uma Hagadá de Pessach. Acabei jogando fora assim que percebi que se tratava de material missionário que se passava por Hagadá. Pensei comigo: Quem irá celebrar a nossa liberdade do Egito lendo uma coisa que pretende nos reescravizar?”
Mas há muitos judeus afastados – e há muitos que se consideram descendentes de judeus no mundo inteiro e que se tornam alvo mais fácil destes grupos missionários messiânicos. O rabino Tovia Singer acrescenta, em artigo publicado pela prestigiosa e centenária revista Forward, que os esforços das igrejas cristãs de extrema-direita para converter judeus erodem o bom progresso das relações inter-religiosas: “Eles são um tóxico para as relações judaico-cristãs”. Um tóxico. se não ilegal - afinal, liberdade de religião é um direito - imoral, por vender gato por lebre.
Infelizmente, no Brasil, uma figura conhecida experimentou o tóxico. E gostou e recomendou. Pior: por não ler antes a bula, digamos, achou que era um tóxico legitimamente casher, e ficou ofendida quando se mostrou que experimentou uma droga legitimamente “messianicosher”. Os efeitos alucinógenos da droga, graças a Deus, não afetaram de cheio a comunidade judaica brasileira, mas causaram distúrbios o suficiente.
Que no próximo Pessach estejamos livres dos pequenos faraós - o Rosh Faraó até veste kipá e talit para isso, além da correntinha com a menorá com base de peixe (e não é guefilte fish), para nos manter no Egito. Em todas as gerações eles tentam, mas como diz a Hagadá de Pessach, Deus nos salva com Mão Forte e Braço Estendido. E Daiênu, já isto nos basta.
ou O Conto da Carochinha de Pessach
Charada: quando uma hagadá de Pessach não é um livro judaico?
a) quando em vez de falar da saída dos judeus do Egito, fala da morte e ressurreição de Jesus.
b) quando tem mais Jesus na “Hagadá” do que furinhos na matsá.
c) quando o vinho de Pessach vira sangue de Jesus.
d) quando as 3 matsot na mesa passam a representar pai, filho e espírito santo.
e) todas as alternativas acima.
O diálogo judaico-cristão, a meu ver, é uma conquista saudável e importante dos nossos tempos. Estão claras as diferenças entre as religiões, as tradições e interpretações do texto bíblico, os objetivos espirituais. Então o diálogo é possível, o conhecimento e respeito mútuo, a atuação conjunta em prol dos mais necessitados, como tivemos o exemplo de duas importantes organizações comunitárias, uma judaica e uma cristã, em São Paulo há pouco tempo.
Mas simplesmente não é possível fundir duas tradições milenares. Mais do que isso: é preciso dois para dançar um tango. E nós, judeus, não queremos dançar um tango com aqueles cristãos que não querem diálogo, mas sim fazem qualquer coisa - até vestir kipá e tsitsit - para que sejamos cristãos, mas acreditar em Yeshua Hamashiach, ops, Jesus. Não obrigado, muito menos enganado.
Eles tentam se vestir como judeus, usam expressões judaicas mescladas com exclamações cristãs, subvertem nossos livros e objetos religiosos. Antigamente éramos acusados, na Idade Média, de preparar o vinho e a matsá de Pessach com o sangue de crianças cristãs. Hoje certos grupos messiânicos afirmam que o vinho e a matsá de Pessach são respectivamente o sangue e o corpo de Cristo. Não dá para engolir.
Nos EUA vende-se uma “hagadá de pessach” com toda a cara de Hagadá de Pessach. Até a página 2. A partir daí ela se torna uma pregação pelo retorno de Jesus.
O grupo “Jews for Judaism” (Judeus pelo Judaísmo), do rabino Tovia Singer, protestou e conseguiu que a livraria Barnes & Noble retirasse o livro da seção judaica e o reclassificasse como cristão - nada mais óbvio. O mesmo está sendo feito junto à Amazon Books e à rede Wal-Mart. Segundo o rabino, “Eles tomam as tradições da fé judaica e as usam como instrumento para converter à fé cristã”. Conhecemos este filme no Brasil. Temos “amigos” assim. Infelizmente. Tudo feito de forma encoberta, como se fosse. Como uma antiga propaganda: “Denorex: parece, mas não é.”
Albert Passy, judeu americano, coloca bem a situação: “Entendam que esta hagadá não é feita por judeus e para judeus – mas sim por uma organização que busca converter judeus ao dizer que se pode acreditar em Jesus e continuar sendo judeu. É uma FARSA!! Por que não chamam abertamente de “Páscoa com Judeus por Jesus?”
Uma pessoa comentou assim o anúncio do livro exposto na Amazon Books: “Eu adquiri pensando que fosse mais uma Hagadá de Pessach. Acabei jogando fora assim que percebi que se tratava de material missionário que se passava por Hagadá. Pensei comigo: Quem irá celebrar a nossa liberdade do Egito lendo uma coisa que pretende nos reescravizar?”
Mas há muitos judeus afastados – e há muitos que se consideram descendentes de judeus no mundo inteiro e que se tornam alvo mais fácil destes grupos missionários messiânicos. O rabino Tovia Singer acrescenta, em artigo publicado pela prestigiosa e centenária revista Forward, que os esforços das igrejas cristãs de extrema-direita para converter judeus erodem o bom progresso das relações inter-religiosas: “Eles são um tóxico para as relações judaico-cristãs”. Um tóxico. se não ilegal - afinal, liberdade de religião é um direito - imoral, por vender gato por lebre.
Infelizmente, no Brasil, uma figura conhecida experimentou o tóxico. E gostou e recomendou. Pior: por não ler antes a bula, digamos, achou que era um tóxico legitimamente casher, e ficou ofendida quando se mostrou que experimentou uma droga legitimamente “messianicosher”. Os efeitos alucinógenos da droga, graças a Deus, não afetaram de cheio a comunidade judaica brasileira, mas causaram distúrbios o suficiente.
Que no próximo Pessach estejamos livres dos pequenos faraós - o Rosh Faraó até veste kipá e talit para isso, além da correntinha com a menorá com base de peixe (e não é guefilte fish), para nos manter no Egito. Em todas as gerações eles tentam, mas como diz a Hagadá de Pessach, Deus nos salva com Mão Forte e Braço Estendido. E Daiênu, já isto nos basta.
terça-feira, 24 de março de 2009
E Contarás ao Teu Filho e à Tua Filha
Link: http://www.nrg.co.il/online/1/ART1/869/880.html (em hebraico)
Tradução: Uri Lam, março de 2009
Direitos iguais entre homens e mulheres nem sempre andam de mãos dadas com a religião, mas neste ano as feministas podem se orgulhar da primeira Hagadá de Pessach igualitária. (em Israel - N. do T.)
Rina Shakdi-Cohen, formada em estudos de literatura e educação, ativista do movimento pela paz e direitos iguais entre homens e mulheres, lançou uma Hagadá de Pessach tradicional adequada ao espírito igualitário do século 21.
Na nova Hagadá, publicada pela editora Ofir, destacam-se as personagens femininas. Tudo o que está escrito na Hagadá tradicional em linguagem masculina ganhou também termos na linguagem feminina. Há, por exemplo, frases como: “E contarás ao teu filho e à tua filha” ou “em relação a quatro filhos e quatro filhas disse a Torá”.
Shakdi Doron conta: “Para esta Hagadá me baseei na afirmação de Rabi Akiva: ‘Graças às mulheres justas que havia naquela geração o povo judeu foi salvo do Egito.’”
Além disso há textos dos sábios do Talmud sobre cada uma das heroínas dos relatos da Hagadá, junto a ilustrações destas mulheres.
“A saída do Egito é um relato importante e que atrai a atenção, mas é um evento de todo o povo de Israel, não apenas da sua metade masculina”, diz Shakdi-Cohen. “Para mim é importante que os leitores, sejam adultos ou crianças, recebam a verdadeira imagem dos acontecimentos que ocorreram o poço de Israel no início da sua jornada.”
Shakdi-Cohen pesquisou a questão do feminino no relato da saída do Egito por mais de um ano. “De todos os materiais coletados por mim, vem à tona que os homens daquela época eram passivos e as mulheres, por conta disso, eram muito mais ativas”, conta sobre suas descobertas, que as feministas entre nós diriam que não surpreende. “Tem as criadoras de Moisés, Shifrá e Puá, a mãe de Moisés – Iochéved, sua irmã – Miriam, e a filha do Faraó que o resgatou das águas e o levou para sua casa – o palácio do Faraó, e graças a ela ele se tornou o grande líder do povo de Israel. Cada uma destas personagens femininas é descrita de forma extensa na Hagadá, de um modo que até hoje não havia sido feito em relação a elas.”
A Hagadá de Pessach igualitária pode ser adquirida nas livrarias em Israel (e provavelmente logo no site www.amazonbooks.com) . Seu preço em Israel é de 98 shekels, aproximadamente R$ 55,00.
Quem sabe logo encontremos, entre aqueles da comunidade judaica brasileira que defendem a igualdade entre homens e mulheres no que tange à vida judaica, interessados em publicar esta Hagadá de Pessach em português. Eu adoraria fazer parte deste projeto e começo a pensar nele a partir de agora.
Link: http://www.nrg.co.il/online/1/ART1/869/880.html (em hebraico)
Tradução: Uri Lam, março de 2009
Direitos iguais entre homens e mulheres nem sempre andam de mãos dadas com a religião, mas neste ano as feministas podem se orgulhar da primeira Hagadá de Pessach igualitária. (em Israel - N. do T.)
Rina Shakdi-Cohen, formada em estudos de literatura e educação, ativista do movimento pela paz e direitos iguais entre homens e mulheres, lançou uma Hagadá de Pessach tradicional adequada ao espírito igualitário do século 21.
Na nova Hagadá, publicada pela editora Ofir, destacam-se as personagens femininas. Tudo o que está escrito na Hagadá tradicional em linguagem masculina ganhou também termos na linguagem feminina. Há, por exemplo, frases como: “E contarás ao teu filho e à tua filha” ou “em relação a quatro filhos e quatro filhas disse a Torá”.
Shakdi Doron conta: “Para esta Hagadá me baseei na afirmação de Rabi Akiva: ‘Graças às mulheres justas que havia naquela geração o povo judeu foi salvo do Egito.’”
Além disso há textos dos sábios do Talmud sobre cada uma das heroínas dos relatos da Hagadá, junto a ilustrações destas mulheres.
“A saída do Egito é um relato importante e que atrai a atenção, mas é um evento de todo o povo de Israel, não apenas da sua metade masculina”, diz Shakdi-Cohen. “Para mim é importante que os leitores, sejam adultos ou crianças, recebam a verdadeira imagem dos acontecimentos que ocorreram o poço de Israel no início da sua jornada.”
Shakdi-Cohen pesquisou a questão do feminino no relato da saída do Egito por mais de um ano. “De todos os materiais coletados por mim, vem à tona que os homens daquela época eram passivos e as mulheres, por conta disso, eram muito mais ativas”, conta sobre suas descobertas, que as feministas entre nós diriam que não surpreende. “Tem as criadoras de Moisés, Shifrá e Puá, a mãe de Moisés – Iochéved, sua irmã – Miriam, e a filha do Faraó que o resgatou das águas e o levou para sua casa – o palácio do Faraó, e graças a ela ele se tornou o grande líder do povo de Israel. Cada uma destas personagens femininas é descrita de forma extensa na Hagadá, de um modo que até hoje não havia sido feito em relação a elas.”
A Hagadá de Pessach igualitária pode ser adquirida nas livrarias em Israel (e provavelmente logo no site www.amazonbooks.com) . Seu preço em Israel é de 98 shekels, aproximadamente R$ 55,00.
Quem sabe logo encontremos, entre aqueles da comunidade judaica brasileira que defendem a igualdade entre homens e mulheres no que tange à vida judaica, interessados em publicar esta Hagadá de Pessach em português. Eu adoraria fazer parte deste projeto e começo a pensar nele a partir de agora.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Guilad Shalit - quem sabe, na próxima semana
centenas de israelenses realizam agora, em Jerusalém, uma manifestação junto à tenda diante da casa do primeiro ministro, onde estão vivendo provisoriamente os pais do soldado Guilad Shalit, sequestrado em 2006 e mantido cativo em Gaza. Enquanto isso vem a informação do lado palestino de que já se haveria chegado a um acordo sobre a lista de 1.000 presos palestinos que seriam trocados pela libertação do jovem israelense. A discussão agora gira em torno de quem poderá retornar a Gaza e quem será expulso para o exterior, pelo fato de serem terroristas que assassinaram cidadãos israelenses em atentados.
os palestinos já disseram e se "desdisseram" zilhões de vezes, mas não há outro jeito a não ser continuar negociando.
a chamada "janela de oportunidade" se fecha com o início do próximo governo israelense, a ser anunciado em cerca de 10 dias. depois disso é possível que tudo vá por água abaixo e encerrem-se as negociações por Guilad Shalit - ou na melhor das hipóteses, comece tudo de novo.
queira Deus que Guilad já esteja com seus familiares em Pessach.
Shabat shalom
centenas de israelenses realizam agora, em Jerusalém, uma manifestação junto à tenda diante da casa do primeiro ministro, onde estão vivendo provisoriamente os pais do soldado Guilad Shalit, sequestrado em 2006 e mantido cativo em Gaza. Enquanto isso vem a informação do lado palestino de que já se haveria chegado a um acordo sobre a lista de 1.000 presos palestinos que seriam trocados pela libertação do jovem israelense. A discussão agora gira em torno de quem poderá retornar a Gaza e quem será expulso para o exterior, pelo fato de serem terroristas que assassinaram cidadãos israelenses em atentados.
os palestinos já disseram e se "desdisseram" zilhões de vezes, mas não há outro jeito a não ser continuar negociando.
a chamada "janela de oportunidade" se fecha com o início do próximo governo israelense, a ser anunciado em cerca de 10 dias. depois disso é possível que tudo vá por água abaixo e encerrem-se as negociações por Guilad Shalit - ou na melhor das hipóteses, comece tudo de novo.
queira Deus que Guilad já esteja com seus familiares em Pessach.
Shabat shalom
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