quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Beija Flor, a última noite no apê, Shabat em Gezer
Estava eu em casa, estudando diante do computador, quando pela sacada entra um beija flor. Entrou com tudo, como um foguete, cruzou o apartamento (não precisa muito) e quase na parede, parou no ar. Vira-se volta, vai em direção à porta da sacada mas não a encontra. Para, vira e vai novamente em direção à parede. Ele deve ter feito isso umas 5 vezes. Comecei a me divertir com ele, a observá-lo. Peito azul celeste brilhante, o resto do corpo mais escuro. Uma hora finalmente ele descobriu como sair... e partiu.

Hoje deve ser, se Deus quiser, a última noite no apê da região central de Jerusalém. Amanhã pela manhã me mudo para outro que promete ser bem mais agradável, bonito e silencioso - além de mais barato, o que ajuda muito também. Jã não vejo a hora. Ao sublocar o apartamento por um mês, durante minha viagem ao Brasil, houve alguns "probleminhas" que não sei direito como ocorreram, só sei que fiquei sem geladeira. Depois foi a vez da máquina de lavar dar seus últimos suspiros. Pelo jeito não fui só eu que queria sair daqui - o apê também queria que eu saísse:-)

Sexta feira substituirei a rabina Miri Gold, em viagem, na direção do serviço de Shabat da sinagoga Bircat Shalom, em Gezer.

Além de mudanças, shabatot e beija-flores,e o que se faz com tudo o que há para ler e estudar? Não sei. Tem hora que parece que vai se morrer apapelado em um mar de folhas. Só sei que gastei um tubo de tinta de impressora só nesta semana de tanto imprimir textos. Já os tenho todos... só falta lê-los!

Hoje está um lindo dia de sol em Jerusalém, temperatura 20 graus. 
Israel se aproxima da cura para o câncer de mama 
Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv e do Hospital Sheba identificaram substâncias capazes de matar as células cancerígenas sem prejudicar as células saudáveis. O material até agora só foi testado em ratos, mas em alguns anos pode gerar tratamentos em seres humanos, com poucos efeitos colaterais. "Realmente encontramos o calcanhar de Aquiles da células cancerosas, que era desconhecido", diz a professora Malka Cohen Armon, chefe da equipe de pesquisas da Faculdade de Medicina da Universidade de Tel Aviv.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Três histórias deliciosas do Talmud
(Uri Lam, inspirado no Tratado Iomá, 22b)
Elas vêm uma atrás da outra, e não deve ser à toa. Cada uma delas trata, com muito bom humor, de questões relacionadas ao poder público. Coloco junto o texto original sobre o qual me inspirei. Boa leitura!
1) Saul tinha um ano de idade quando começou a reinar
בן שנה שאול במלכו. אמר רב הונא: "כבן שנה שלא טעם טעם חטא." מתקיף לה רב נחמן בר יצחק: "ואימא, כבן שנה שמלוכלך בטיט ובצואה!"
 Como alguém poderia começar a reinar sobre uma nação inteira com apenas um ano de idade? Os rabinos do Talmud sabiam que isso era impossível e buscaram cada um dar a sua interpretação do que o Tanach, a Bíblia Hebraica, quis dizer com isso.
Rav Huna disse: “No início do seu reinado, Saul era como uma criança de um ano, que ainda não havia provado o gosto do pecado.” Rav Nachman bar Itschak ironizou o que disse Rav Huna com um jogo de palavras nada sutil: “E se dissesse, talvez, que no início de seu reino Shaul era como uma criança de um ano suja de lama e excrementos? (meluchlách, “sujo”, jogo de palavras com melachlách, “reizinho”)
2) O pesadelo de Rav Nachman
אחויאו ליה לרב נחמן סיוטא בחלמיה. אמר: "נעניתי לכם, עצמות שאול בן קיש!" הדר חזא סיוטא בחלמיה. אמר: "נעניתי לכם, עצמות שאול בן קיש, מלך ישראל!"
 Rav Nachman teve um pesadelo. Nele viu algo medonho, e disse: “Peço-lhes perdão, ó ossos de Shaul ben Kish.” Mas o pesadelo voltou na  noite seguinte. Então Rav Nachman disse: “Peço-lhes perdão, ó ossos de Shaul ben Kish, Rei de Israel.”
 3) Por que o reinado de Shaul durou pouco?
אמר רב יהודה אמר שמואל: "מפני מה לא נמשכה מלכות בית שאול? מפני שלא היה בו שום דופי." דאמר רבי יוחנן משום רבי שמעון בן יהוצדק: "אין מעמידין פרנס על הציבור, אלא אם כן קופה של שרצים תלויה לו מאחוריו - שאם תזוח דעתו עליו, אומרין לו: 'חזור לאחוריך!'"
 Por que Shaul ficou pouco tempo no poder? Rav Iehuda disse, em nome de Shmuel: “Porque ele não tinha nada pelo qual pudesse ser criticado.” Rav Iochanan, citando Rav Shimon ben Iehotsadak, acrescentou: “Não se elege um administrador público que não tenha uma cesta de répteis nas costas.” E por que isso? “Porque se em algum momento ele se tornar arrogante, as pessoas poderão lhe dizer: ‘Ei, olhe o que há nas tuas costas!’”
Parashat Vaierá (Congregar - CIP)
7/11/2009 - 20 de Cheshvan 5770
Uri Lam 
“Apesar de tudo, ainda acredito na bondade humana.” Anne Frank
Na época em que três estrangeiros se aproximaram da sua casa, contam os nossos sábios que Abrahão ainda se convalescia da sua brit milá. Ele e sua esposa Sara não haviam sido agraciados com crianças e, na idade avançada em que estavam, isso era tão improvável como um cego de nascença passar a enxergar. Após receberem os visitantes inesperados com o que tinham de melhor, um dos homens afirmou: “No ano que vem eu voltarei aqui, e Sara, tua mulher, terá um filho.” O que vieram fazer os outros dois na tenda de Abrahão? A Torá não explica. Em seguida dois dos homens partiram para Sodoma e Abrahão os acompanhou, pois estava preocupado com o que estava para acontecer.
Foi quando Deus lhe contou que destruiria Sodoma e Gomorra, dada a maldade de seus habitantes. O patriarca retrucou: “Mas Deus, Você vai destruir o homem justo juntamente com o homem mau?”
Abrahão é conhecido como um homem bondoso e que acredita na bondade do ser humano. Suas portas estavam sempre abertas. Porém ele não se preocupava somente com quem estivesse perto, como os três estrangeiros, mas com a vida de todas as pessoas, mesmo as que viviam longe. Aprendemos no Talmud que “Quem preserva uma única vida... é como se preservasse um mundo inteiro” (San’hedrin 37a). Conseguir salvar alguém de Sodoma era tão remoto quanto Abrahão e Sara terem filhos. Mas para ele, salvar uma vida equivalia a gerar uma vida. Ambas fazem parte inerente do Pacto com Deus.
Diversas fontes judaicas buscaram detalhar mais o que lemos na Torá sobre cada um dos estrangeiros que visitaram Abrahão e Sara naquela tarde. Afinal, não estava claro o que dois deles foram fazer lá. Segundo o Midrash Tanchuma, o primeiro disse a Sara que ela teria um filho, o segundo anunciou a destruição de Sodoma e o terceiro salvaria a vida de Lot, sobrinho de Abrahão que vivia naquela cidade. Já o Talmud entende que eles eram três anjos: Michael contou a Sara que ela teria um filho, Gabriel anunciou a destruição de Sodoma e Rafael veio curar Abrahão das feridas da circuncisão. Uma terceira explicação, ao buscar conciliar as duas fontes anteriores, conta que, uma vez recuperado com o auxílio do anjo Rafael, Abrahão acompanhou os anjos no caminho para Sodoma. Nisso Deus lhe contou o que aconteceria e, graças ao seu questionamento se era certo matar um homem justo juntamente com os maus, Lot foi salvo. Assim, ao curar Abrahão, indiretamente Rafael salvou também a vida de Lot.
Mas como sabemos que aqueles homens eram anjos, se está escrito, no início do capítulo 18 de Gênesis, que eram três homens os que se apresentaram diante da tenda de Abrahão e Sara? Na sequência da parashá Vaierá lemos: “Dois anjos vieram a Sodoma à noite, e Lot estava sentado junto ao portão de Sodoma.” (Gênesis 19:1). Podemos entender desta passagem que somos capazes de saber que toda pessoa é potencialmente um anjo e que na maior parte das vezes, descobrimos isso somente depois do bem que ela nos fez. 
Agentes de Mudança
Publicado na revista Chronicle, nov. 2009
Hebrew Union College-Jewish Institute of Religion (HUC-JIR)
novembro de 2009
tradução: Uri Lam
Entre os 22 estudantes matriculados no Programa Rabínico Israelense, há uma grande diversidade de backgrounds, mas uma paixão compartilhada e um compromisso em fazer avançar o Judaísmo Reformista no Estado Judeu. Estes estudantes se unirão aos já 59 rabinos israelenses formados pelo HUC, que nos últimos tempos estão transformando o binômio Ortodoxo-Secular na sociedade israelense ao apresentarem um modo liberal, igualitário e inclusivo de identidade, espiritualidade e prática religiosa judaica.
Benjie Gruber: receberá a sua semichá (ordenação rabínica) neste mês de novembro. Atua como rabino- estudante no Kibutz Yahel, onde oferece educação para adultos. Realiza programas de conversão ao judaísmo para soldados no Exército israelense, trabalha no Beit Midrash da Comunidade Reformista de Mevasseret Sion e na Mechiná (curso pré-exército) Reformista de Iafo. Segundo ele, “Meus quatro anos no HUC-JIR me deram a chance de estudar Talmud, Midrash, Halachá, Teologia, Tanach, entre outros, com excelente nível de estudos, e ser apresentado às práticas de acompanhamento espiritual/religioso por professores e orientadores que são peritos na teoria e na prática.”
Eis alguns dos seus colegas que entraram agora em seu segundo ano no Programa Rabínico Israelense e que serão os líderes do judaísmo reformista e os agentes de mudança em Israel nos próximos anos:
Na'ama Dafni-Kellen: conheceu o judaísmo reformista no ensino médio, no Leo Baeck Centro de Educação, em Haifa,e envolveu-se com o Movimento Israelense pelo Judaísmo Progressista desde então. Após completar o período de serviço militar, mudou-se para Jerusalém, onde estudou Filosofia Judaica e Assistência Social na Universidade Hebraica de Jerusalém, enquanto trabalhava como diretora nacional da Associação Nacional de Estudantes Reformistas. Após terminar o seu M.A. (Mestrado) em Administração de Organizações Beneficentes, Na'ama se tornou diretora da Kehilat Tzedek, um centro de treinamento para ação social congregacional que trabalha com congregações reformistas, conservadoras, seculares e ortodoxas-modernas em  Israel, sob os auspícios do Israeli Religious Action Center (Mercaz Lepluralism).
Galit Cohen Kedem: Nascida em Nova Iork e crescida em Tel Aviv, atuou até o primeiro semestre de 2009 como diretora de programação da Kehilat Tzur Hadassah. Graduada  do Beit-Midrash Tehuda para Liderança Judaica em Israel (Hamidrashá e Kolot), ex-organizadora comunitária da Beit Tefilá Israeli, em Tel Aviv. Tem graduação universitária em Lingua e Literatura Judaica  pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Estudou em vários batei midrash pluralistas (inclusive no Beit Shmuel/HUC-JIR e no Hartman Institute) e trabalhou para a Gesher, na promoção do diálogo entre estudantes de ensino médio seculares e religiosos. Galit foi professora de hebraico na escola para estudantes do exterior na Universidade Hebraica de Jerusalém. Recentemente mudou-se para Holon, onde fará parte de um grande esforço na cidade pelo renascimento judaico.
 Uri Lam: desde 2005 é assistente do rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP), em São Paulo, Brasil, onde foi um dos responsáveis pelo serviço Shabat Neshamá, o minián igualitário da CIP; foi moré de bnei mitsvá e lecionou em cursos de Introdução ao Judaísmo para candidatos à conversão. Como tradutor, entre outros, trabalhou na primeira tradução judaica do Tanach para o português. Também traduziu os dois primeiros dos três volumes de "O Guia dos Perplexos", principal obra filosófica de Maimônides (1135-1204). Responsável pelos novos sidurim da CIP Shavua Tov, e atualmente trabalha sobre um novo sidur, Chag Sameach. Também traduziu teshuvot (Responsa) reformistas e o website americano sobre conversão ao judaísmo para lingua portuguesa. Fomrou-se em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP (IPUSP) em 1995 e tornou-se Mestre em Filosofia pela PUC-CAMP em 2003, com dissertação sobre O Guia dos Perplexos de Maimônides.
Tlalit Shavit: Instrutora e conferencista em Pensamento Judaico e Educação Judaica na Faculdade Oranim. uma das fundadoras do Beit Midrash Nigun Shel Nashim (Melodia de Mulheres) de mulheres pluralistas, que dirigiu por muitos anos. Tlalit ensinou erm vários batei midrash e comunidades pluralistas no norte de Israel. Atualmente trabalha como conselheira curricular e Diretora de Seminários Pedagógicos da Parceria 2000 entre programas pedagógicos de Tel Aviv e Los Angeles. Mudou-se recentemente para Modiin e se unirá à Kehilat Yozmá, a próspera comunidade reformista da cidade que mais cresce em Israel.
Or Zohar: estudante e professor de Cabalá, cantor e compositor musical, instrutor de textos musicais relacionados à tradição judaica. Estudante de doutorado em pesquisa sobre Cabalá na Escola de Estudos Judaicos da Universidade de Tel Aviv. Leciona Cabalá e Zohar para o Movimento Conservador (Masorti) em Tel Aviv, no Centro Mousayoff Center da Universidade Bar-Ilan, e em outros lugares. Apresenta programas de rádio como “Kabalat Shabat” e “A Tríplice Santidade - um Diálogo Inter-Religioso". Escreve sobre judaísmo, Cabalá e outros temas relacionados à espiritualidade para o jornal israelense Maariv.
Meirav Kalush: Retornou a Israel da Inglaterra, após três anos de shelichut da Agência Judaica. Lá trabalhou com a comunidade e com o Movimento Juvenil Netzer. Antes, trabalhou como supervisora de educação e diretora do programa “Amitim” da Agência Judaica. Meirav é formada em Estudos Judaicos pela Universidade Hebraica. Cresceu no Kibutz Massuot Yitzhak. Acredita que uma idéia pode criar uma realidade e que todos nós temos uma parte no trabalho de Ticun Olam, de recuperarmos o nosso mundo.
Eli Yoel Levin: nasceu em Tel Aviv em 1960. Seu pai, polonês, único sobrevivente da família após o Holocausto, imigrou para Israel em 1949. A mãe de Eli nasceu na Argentina e veio para Israel em 1953. Eli se formou em Odontologia na Universidade de Tel Aviv em 1989. Desde então, atua como dentista em dois kibutzim e em sua clínica própria, em Netânia. Há oito anos atrás passou a estudar História Judaica na Universidade de Tel Aviv. É membro da Congregação Judaica Reformista “Netan-Yá” e às vezes atua lá como rabino, realizando serviços e cerimônias.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Kal-El ben Jorel ve-Lara
Uri Lam
publicado na revista Este Mês, da CIP, novembro de 2009


Há setenta anos o mundo conheceu um dos períodos mais sombrios de toda a sua história. Enquanto a perseguição e assassinato de judeus já era uma marca da famigerada Alemanha nazista, em 1939, junto com o início da 2ª Guerra Mundial, o genocídio acelerou de uma forma nunca vista e ganhou uma mórbida escala industrial. Anos depois o mundo ficaria horrorizado com as imagens da Shoá, de judeus que, quando vivos, eram esquálidos, frágeis, à mercê; na mente nazista insana, era o testemunho do ocaso de um povo.
 Há setenta anos, do outro lado do oceano, era publicada a primeira edição da revista em quadrinhos Superman, o Super Homem. Ao mesmo tempo em que tantas crianças judias eram salvas ao serem embarcadas nos kindertransports, trens que as levavam para lugares seguros distantes da destruição, em Krypton o cientista Jor-El e sua esposa Lara construíram uma espécie de cesto intergaláctico e nele embarcaram seu filho Kal-El, na derradeira esperança de que fosse o sobrevivente daquele velho mundo prestes a ser destruído. A nave com o bebê alcançou o novo mundo, foi resgatada e adotada pelo casal Jonathan e Marta Kent.

Lembro-me de, quando criança, ter sido levado a um supercinema em São Paulo com meu irmão e alguns dos meus melhores amigos para assistir ao Super Homem. Um cinema que não se compara aos Multiplex de hoje em dia, pois era, aos meus olhos, muito, mas muito melhor, bem mais divertido. Três enormes colunas de poltronas estavam voltadas para três telas diferentes dentro do mesmo espaço. Fascinado, eu acompanhava a performance maravilhosa e heróica do Super Homem, ora voando de tela em tela, ora multiplicado por três. Fascinado, eu não sabia para qual tela olhar, com medo de perder o que se passava nas outras duas... Logo no início eu passei a admirar o Super Homem, e a identificação veio assim que escutei seu nome: Kal-El. Lembrava-me os nomes de tantos amigos e colegas da escola, dos movimentos juvenis judaicos e das ruas do bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Daniel, Rafael, Michel, Ariel – Kal-El. “O Super Homem bem que poderia mesmo ser judeu”, eu pensava, esperançoso, do alto dos meus 9 anos de idade.
Não há como deixar de pensar: quantos Super Homens e Super Mulheres deixaram seus pais no velho mundo para nunca mais, sobreviveram em um novo mundo, e lá salvaram vidas, ajudaram outras pessoas em situações desesperadoras, fizeram o que parecia impossível?
Quantos de nome Joel, Gabriel e Daniel foram adotados e tiveram seus nomes mudados para outros, digamos, mais neutros, menos judaicos? Os próprios criadores do Super Homem, os jovens judeus Jerry Siegel e Joe Shuster, tiveram que adotar pseudônimos. Nos EUA de então havia clubes e bairros inteiros que simplesmente barravam a entrada de judeus. Antes ainda de criarem o Super Homem, Siegel e Shuster já escreviam suas histórias em quadrinhos sob o pseudônimo de Bernard J. Kenton – talvez daí tenha vindo a inspiração para o sobrenome da sua mais famosa criação, Clark Kent. Tal como Moisés deixou seus pais para trás em um cesto e cruzou o Nilo para ser adotado e se tornar o maior dos super heróis da história do povo judeu, e tal como Kal-El deixou seus pais para trás em uma mininave espacial, ganhou o pacato nome de Clark Kent e tornou-se mundialmente famoso como o Super Homem, ao salvar não apenas a memória do povo de Krypton, mas todo ser humano em perigo, do mesmo modo aquelas crianças judias deixaram seus pais nos países europeus ocupados pelos nazistas e, uma vez em segurança, muitas delas com novos nomes, tornaram-se médicos, professores, engenheiros, construtores, assistentes sociais, voluntários em instituições beneficentes, pais e mães, avôs e avós.
Tal como Moisés e Kal-El, muitas delas só souberam de suas identidades judaicas muitos anos depois. Assim como Moisés era gago e o Super Homem perdia suas forças sob a radiação da kryptonita, aqueles meninos e meninas dos kindertransports também tiveram suas fraquezas, seus temores, seus traumas de guerra. Mas eles serão nossos super heróis para sempre, pois suas vidas e principalmente, suas histórias de vida, ajudaram a garantir a sobrevivência do povo judeu.