quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O Livro de Abrahão

by Grzybowski & Goldman
Parashat Lech Lechá (Gênesis)

Por me debruçar tantas e tantas vezes sobre os midrashim – textos rabínicos que, por assim dizer, complementam e comentam, subvertem o texto da Torá e o viram de ponta cabeça, buscando significados extras nas meias palavras e somando histórias e diálogos entre as “falhas de continuidade” – já não posso mais imaginar a Torá sem a leitura fértil desses brilhantes comentaristas que proliferam desde os tempos talmúdicos até os dias atuais. Eles e elas vão tão longe que levam o sentido do texto aos limites da criatividade: se assim como está escrito no Gênesis, no início Deus criou os céus e a terra, os “midrasheiros e midrasheiras” do nosso povo interpretam desde os grãos de areia à beira do mar até as estrelas no céu.
O filósofo Yeshayahu Leibowitz (1903-1994) também adorava midrashim. Em um de seus comentários, Leibowitz traz um midrash que busca justificar o papel central de Abrahão no primeiro livro da Torá através de um interessante jogo de palavras:

אֵלֶּה תוֹלְדוֹת הַשָּׁמַיִם וְהָאָרֶץ בְּהִבָּרְאָם.

“Eis as origens dos céus e da terra behibarám (ao serem criados)…” (Gênesis 2:4)
Os rabinos dos tempos talmúdicos se deram conta de que a palavra hibarám continha as mesmas letras do nome do primeiro patriarca: é só trocar a primeira letra hebraica, He, pela penúltima, Alef – e temos Avraham. Conclusão? Podemos ler este versículo da seguinte forma: “Eis as origens dos céus e da terra para Avraham”.

Por esse ponto de vista, a criação do universo e das primeiras 29 gerações da humanidade foram tão somente a pré-história, a preparação necessária para o surgimento do primeiro ser humano consciente da existência de um Deus único: Abrahão. Uma visão um tanto “Abrahãocêntrica”, não é? De qualquer modo, para Leibowitz, o livro de Gênesis tem na figura do primeiro patriarca de Israel o pivô da história, o que justifica denominar o Gênesis de “O Livro de Abrahão”. De fato, a história do povo judeu começa com Abrahão e Sara. Somos bnei Avraham, descendentes de Abrahão.

Leibowitz continua: “Nosso patriarca Abrahão não viveu no mesmo mundo pré-histórico de intervenção divina continuada, que modificava as leis da natureza, mas sim no mundo pós-dilúvio, que é um mundo que se conduz por si mesmo; e num mundo assim é preciso que o indivíduo conheça Deus por seu próprio esforço… a posição do ser humano diante de Deus não é iniciada por Deus, mas sim pelo ser humano”.

A partir de Abrahão e Sara inaugura-se o período no qual o ser humano deve descobrir Deus através do seu intelecto, da sua capacidade de sentir e de suas ações. Ao receber a ordem “Lech Lechá”, “Vá para si mesmo” (Gênesis 12:1), aos 75 anos Abrão parte em uma viagem arriscada para uma terra que não conhece: uma viagem de crescimento pessoal. Ele parte rumo ao desconhecido e terá que aprender que, muitas vezes na vida, aprende-se a caminhar caminhando: Abrahão terá que se arriscar – às vezes irá acertar e outras vezes, errar. Bem vindo à vida!

A responsabilidade aumenta na medida em que Abrão (ainda sem h) não seguirá sozinho: ao seu lado estão a esposa Sarai, o sobrinho Lot – e todas as “almas que fizeram em Haran” (idem 12:5). O midrash nos conta que estas “almas” eram gente politeísta, isso é, que dirigiam suas práticas religiosas aos astros; mas que foram convertidas por Abrão à nova crença monoteísta: Abrão convertia os homens e Sarai convertia as mulheres. Muito diferente do que imaginamos hoje em dia, o povo de Israel tem na sua origem a prática de converter pessoas à sua crença em um Deus único. Foi com essa gente que Abrão chegou a Canaã.

Logo no início do caminho vem um duplo desafio: por conta da fome em Canaã, foi preciso descer ao Egito. Parte do desafio recai não sobre Abrão, mas sobre todos nós – vejamos: o patriarca pede à sua esposa, Sarai que, ao ser abordada pelos egípcios, apresente-se como sua irmã, porque sendo ela uma mulher muito formosa, os egípcios poderiam matá-lo para a entregarem ao Faraó por mulher.

Qual é o nosso desafio? imaginar como Sarai, então com 65 anos, poderia ser considerada uma mulher jovem e atraente para o Faraó. Isso será possível somente se tivermos a liberdade de imaginar que: (1) Abrão e Sarai estavam muito bem conservados para a idade; ou (2) a idade bíblica não corresponde exatamente à idade tal como contamos hoje em dia.

Já o desafio de Abrão é adotar a decisão mais acertada diante das circunstâncias. Como saber? Alguns sábios da Idade Média dirão que Abrão errou ao pedir que sua esposa se apresentasse aos egípcios como sua irmã: foi um sinal de fraqueza, pois não confiou que Deus poderia defendê-lo de uma provável agressão dos egípcios (só mais adiante Abrahão irá até o fim numa situação de perigo mortal, quando chega às vias de fato para sacrificar o próprio filho, Isaac, mas é impedido por um anjo). No final das contas, Abrão acaba se saindo bem: o Faraó é punido por Deus por tentar algo com Sarai, entrega-a de volta para Abrão e os manda embora do Egito, carregados de gado, prata e ouro.

O segundo desafio de Abrão foi saber lidar com o sobrinho Lot, que por sua vez também encontrou o seu modo de acumular ovelhas, vacas, tendas e pastores… Desde aqueles tempos, pode-se dizer que muita riqueza nem sempre traz felicidade; pode também trazer muitos problemas. Abrão opta pelo caminho da paz – separa-se de Lot; vai cada um para o seu lado. Desta vez parece que a decisão foi acertada: só depois de se separarem, Deus o abençoou e à sua descendência: “A terra que você vê, eu a darei para você e para seus descendentes para sempre. Farei a sua descendência como o pó da terra…” (Gênesis 13:15-16)

O povo de Israel nunca foi dos mais numerosos. Hoje em dia somos uma parcela quase insignificante da população mundial: cerca de 14 milhões num mundo de 7 bilhões. Se somos como o pó da terra, comparados à humanidade somos como um punhado de areia. Tenho dois grandes amigos, Grzybowsky e Goldman, que interpretaram esta passagem com muita sensibilidade e poder de síntese em seu livro em quadrinhos “Bíblia Versão Não Autorizada”. Nele há um quadro no qual Abrahão aparece mirando o céu, coberto de estrelas de seis pontas, cruzes e estrelas-e-luas – símbolos respectivamente do judaísmo, cristianismo e islamismo. Abrão aparece pensando, num canto: “Que meus filhos nunca esqueçam que são irmãos”.

Outros desafios estavam à espera de Abrão: guerras e mais guerras; seu sobrinho Lot é sequestrado e Abrão o resgata. Mais adiante, no horário do crepúsculo, Abrão caiu em sono profundo no qual escutou Deus dizer o que iria acontecer com seu povo no futuro: eles iriam para uma terra estranha onde seriam escravos por 400 anos, mas Deus julgaria a nação opressora e faria com que saíssem de lá com grande riqueza – um resumo do período de escravidão, libertação e êxodo do povo de Israel no Egito desde os tempos de José (bisneto de Abrahão) até a época de Moisés: em outras palavras, temos aqui a síntese do que viria a ocorrer na Torá até o início do Êxodo. Quando já era noite, Deus estabeleceu uma aliança com Abrão, prometendo à sua descendência um território enorme, muito maior do que o do Estado de Israel hoje: do rio Nilo (Egito) ao rio Eufrates (nos atuais Iraque, Turquia e Síria). Há quem sonhe até hoje com a “Grande Israel” bíblica.

Se na vida pública, por assim dizer, a vida de Abrão não era fácil, na vida pessoal as coisas não eram mais simples. Depois de dez anos em Canaã, Sarai não engravidava. Na esperança de ter filhos, Sarai entregou sua serva, a egípcia Hagar (segundo o midrash, uma princesa entregue a Abrão como serva, parte da riqueza acumulada no Egito) ao marido. Não demorou muito e Hagar engravidou, o que gerou muita raiva em Sarai, por se sentir desprezada pelo marido. Maltratada por sua senhora, Hagar partiu para o deserto, onde teve seu filho, que recebeu de Abrão o nome de Ismael.

Foi somente treze anos depois que Deus voltou a falar com Abrão, mudou seu nome para Abrahão e o de Sarai para Sara, prometeu-lhes um filho e estabeleceu com eles uma nova aliança (brit) marcada pela circuncisão (milá) dos homens. Depois de passar por tantos desafios, Abrahão riu-se do que parecia sobrenatural e pensou: “Sendo eu da idade de cem anos, nascerá um filho? Sendo Sara da idade de 90 anos, dará à luz?” Deus confirmou: “Sara, sua mulher, dará à luz um filho e você o chamará de Isaac; estabelecerei Minha aliança com ele – uma aliança eterna – e com a sua descendência depois dele.” (Gênesis 17:17-19) No mesmo dia, Abrahão e Ismael foram circuncidados, assim como todos os homens da sua casa e os estrangeiros que viviam com eles.
Abrahão viveu 25 anos intensamente, entre os 75 e os 100 anos de idade. Se dividíssemos as idades de Abrahão e Sara pela metade, talvez a história soasse mais verossímil à lógica dos nossos tempos: ao descerem para o Egito, Sarai seria uma bela mulher no auge dos seus 32 ou 33 anos, chamando a atenção dos egípcios e colocando a vida de Abrão em risco; e seria difícil, mas não impossível, ela engravidar aos 45 anos. Talvez, dada a intensidade da vida do primeiro casal hebreu, cada ano tenha sido vivido como se fossem dois!

Numa leitura psicológica, podemos ver o tempo de modo subjetivo: “Vá para si mesmo”, o tempo de amadurecimento existencial, não deve ser contado em anos objetivos. Cada indivíduo determina o próprio tempo de desenvolvimento existencial, independente da sua idade física. E ao que parece, aos 100 anos e aos 90 anos respectivamente, Abrahão e Sara estavam na flor da idade, prontos para encarar novos desafios, prestes a iniciar a vida em família. Um novo ciclo os espera.

Rabino Uri Lam
SIB – Sociedade Israelita da Bahia


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ele voltou, tamo feliz! MC Sapinho canta o retorno de Guilad Shalit




kol hakavod, MC Sapinho! Conhecido da galera que vem passear em Israel, principalmente em Tel Aviv, conhecido por sua "Jerusalém, a melhor noite que tem".

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Que tipos de carne não podem ser cozidas com leite?
Hullin 116b - Daf Iomi do dia 20/10/2011
Rabino Adin Steinsaltz
Trad.: Uri Lam
A Torá ensina que carne e leite não podem ser cozidos juntos, baseada em três ocasiões distintas: “Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe” (Êxodo 23:19, 34:26, Deuteronômio 14:21).
Duas opiniões na Mishná (daf 113 ou pág. 113) limita os tipos de carne que não podem ser cozidos com leite. Segundo Rabi Akiva, dada a ênfase em “uma criança”, nem aves nem animais selvagens com leite são proibidos pela Torá, somente animais domésticos estão incluídos na proibição. Rabi Yossi haGalili determina que as aves estão excluídas da proibição, uma vez que não são mamíferos e não podem ser cozidas no leite de sua mãe.
Na daf de hoje, a Guemará oferece duas possíveis diferenças entre estas opiniões.
Rabi Yossi haGalili acredita que os animais selvagens estão incluídos na proibição bíblica, enquanto Rabi Akiva acredita que eles são proibidos apenas pelos Sábios.
Rabi Akiva acredita que ambos os animais selvagens e as aves são proibidos pelos Sábios, enquanto rabi Yossi haGalili acredita que as aves podem ser cozidas com leite ─ não há proibição alguma.
Para apoiar a segunda explicação, a Guemará relata a seguinte história:
Na região de Rabi Yossi haGalili costumava-se comer carne de aves cozida no leite. Certa vez,
Levi visitou a casa de Iossef, criador de pássaros, foi-lhe servido cabeça de pavão cozida no leite, mas não disse nada a eles sobre isso. Quando ele foi até o rabino e contou o ocorrido, o rabino lhe disse: “Por que você não os coibiu?” Ele respondeu: “Porque era a região de Rabi Yehudah ben Beteira e imagino que ele deve ter ensinado a eles a visão de Rabi Yossi haGalili, que dizia: a ave está excluída, uma vez que tem não tem leite materno.”
Em sua responsa, o Rivash (Rabi Itschac ben Sheshet Perfet, 1326 -1408) escreve que podemos aprender uma importante lição dessa história. Parece que ambos, Levi e o rabino, tinham sólidas tradições que não seguem a regra de Rabi Yossi haGalili e que, portanto, aves não podem ser cozidas com leite. Além disso, como as principais figuras rabínicas daquela geração, se eles tivessem se oposto à prática, é provável que a comunidade tivesse evitado cozinhar aves com leite. No entanto, estes rabinos reconheceram que a comunidade pode ter seguido uma posição válida ─ ainda que rejeitada ─, por isso ambos se abstiveram de objeção ou repreensão. Isso vale ainda mais em nossa geração: quando há uma variedade de tradições e muitas vezes a decisão correta não é clara, devemos hesitar em reprovar outros cujas tradições não seguem a nossa.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Guilad Shalit, que bom que você voltou para casa
Oração de agradecimento pela libertação de Guilad Shalit
Retirar da prisão os prisioneiros e do cárcere os que estão nas trevas (Isaías 42:7 – da haftará desta semana, Parashat Bereshit).
Este é o dia que o Eterno fez, vamos nos alegrar e nos regozijar (Salmos 118:24).
Nosso Deus e Deus de nossos Patriarcas e Matriarcas, neste grande dia, tempo de nossa alegria, nós dirigimos nossos corações para Ti com felicidade e contentamento, mexidos e agradecidos por Tua grande bondade que Tu fizeste com Guilad ben Aviva ve-Noam Shalit e com todo o Povo de Israel, por tê-lo retornado em paz do seu cativeiro para a sua família, seu país e seu povo. Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, por libertar os cativos.
Nós estamos emocionados porque se realizaram com ele e conosco as palavras do Profeta Jeremias: “Contenha a tua voz do choro e os teus olhos das lágrimas, porque a tua obra tem seu pagamento ─ palavras do Eterno ─ e eles voltarão da terra do inimigo. E há esperança quanto ao teu futuro, diz o Eterno ─ palavras do Eterno ─ e teus filhos voltarão às suas fronteiras” (Jeremias 31:15-16). Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, por auxiliar Israel com bravura.
Seja a Tua vontade, Eterno nosso Deus e Deus de nossos Patriarcas e Matriarcas, que neste dia e em todos os dias que virão, o prisioneiro que foi redimido conheça alegria no coração, tranquilidade na alma e sucesso em todos os atos de suas mãos, juntamente com toda a sua família e com todos os seus irmãos e irmãs de Israel. Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, por conceder forças aos cansados.
Deus que escuta a oração e que presenteia com a vida, seja a Tua vontade que os sentimentos de fraternidade e de envolvimento mútuo que cobrem o Teu Povo de Israel nestes dias se mantenham entre nós nos dias que virão, e que o dito “Todo aquele que salva uma vida equivale a salvar um mundo inteiro” (San’hedrin 4,5) continue a orientar o Estado, seus dirigentes, ministros e cidadãos. Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do universo, por coroar Israel com glória.
Soberano do Universo, Deus da alegria da nossa felicidade, seja a Tua vontade que depois do resgate de Guilad Shalit não ocorra mais nenhum dano nem prejuízo aos filhos do Teu povo, nem neste ano, tampouco nos próximos anos, que venham a nós para o bem, mas sim espalhe, com a Tua ampla bondade, uma tenda de benignidade, de vida e de paz, sobre nós, sobre todo o Povo de Israel e sobre todos os habitantes do planeta. Que esta seja a Sua vontade ─ e digamos amen. Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, que nos fizeste viver, nos mantiveste e nos fizeste chegar até este momento.


Esta esta oração de agradecimento foi escrita com base nas orações de agradecimento da Assembleia Rabínica do Movimento Massorti e na oração do rabino Yehoram Mazor no sidur Haavodá Shebalêv).
Tradução do hebraico (abaixo): Uri Lam



כמה טוב שבאת הביתה
תפילת הודיה על שחרורו של גלעד שליט
לְהוֹצִיא מִמַּסְגֵּר אַסִּיר, מִבֵּית כֶּלֶא יֹשְׁבֵי חֹשֶׁךְ.
זֶה הַיּוֹם עָשָׂה יְהוָה, נָגִילָה וְנִשְׂמְחָה בוֹ.
אֱלֹהֵינוּ וֵאלֹהֵי אֲבוֹתֵינוּ וְאִמּוֹתֵינוּ, בְּיוֹם גָּדוֹל זֶה, זְמַן שִׂמְחָתֵנוּ, אָנוּ נוֹשְׂאִים לְבָבֵנוּ אֶליך בְּגִילָה וּבְשִׂמְחָה, בִּרְעָדָה וּבְהוֹדָיָה עַל חַסְדְּךָ הַגָּדוֹל שֶׁעָשִׂיתָ עִם גִּלְעָד בֶּן אֲבִיבָה וְנֹעַם וְעִם כָּל עַם יִשְֹרָאֵל, שֶׁהֲשִׁיבוֹתָ אוֹתוֹ בְשָׁלוֹם מִשִּׁבְיוֹ לְמִשְׁפַּחְתּוֹ וּלְאַרְצוֹ וּלְעַמּוֹ.  בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם, מַתִיר אַסוּרִים.
נִרְגַּשִים אֲנוּ כִּי הִתְקָיְמָה בּוֹ וּבַנּוּ דִבְרֵי הַנַבִיא ירמיהו:  "מִנְעִי קוֹלֵךְ מִבֶּכִי וְעֵינַיִךְ מִדִּמְעָה כִּי יֵשׁ שָׂכָר לִפְעֻלָּתֵךְ נְאֻם ה' וְשָׁבוּ מֵאֶרֶץ אוֹיֵב: וְיֵשׁ תִּקְוָה לְאַחֲרִיתֵךְ נְאֻם ה' וְשָׁבוּ בָנִים לִגְבוּלָם". בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם. אוֹזֶר יִשְרָאֵל בִּגְבוּרָה.
יְהִי רָצוֹן מִלְּפָנֶיךָ, יהוה אֱלֹהֵינוּ וֵאלֹהֵי אֲבוֹתֵינוּ וְאִמּוֹתֵינוּ, שֶׁבְּיוֹם זֶה וּבְכָל הַיָּמִים הַבָּאִים יֵדַע הַשָּׁבוּי שֶׁנִּפְדָה שִׂמְחָה בַּלֵּב וְשַׁלְוָה בַּנֶּפֶשׁ וְהַצְלָחָה בְּכָל מַעֲשֵׂה יָדָיו, יַחַד עִם כָּל בְּנֵי מִשְׁפַּחְתּוֹ וְעִם כָּל יִשְׂרָאֵל אֶחָיו וַאֱחיוֹתַיו. בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם. הַנּוֹתֵן לַיָּעֵף כֹּחַ.
אֵל שוֹמֶעֶ תְּפִילָּה וְחַפֶץ בַּחַיִּים, יְהִי רָצוֹן שֶרִגְשֵי הַאֲחַווָה וְהַעַרְבוּת הַהַדָדִית הַעֹטְפוֹת אֶת עַמְךָ יִשְרָאֵל בְּיָמִים אֶלֵּה יתקימו בַּנוּ גַּם בַּיָמִים הַבַֹאִים, וְשֶהַמַאֲמָר "כָּל הַמְקָיֶים נֶפֶש אֲחַת מַעֲלִים עַלַיו כְּאִילּוּ קִייֵם עוּלֶם מַלֵא" יָמְשִיךְ לְהַדְרִיךְ אֶת הַמְדִינָה, רֹאשֶיהַ, שַרֵיהַ וְאֱזְרַחֵיהַ. בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם. עוֹטֶר יִשְרָאֵל בְּתִּפְאַרָה.
רִבּוֹן הָעוֹלָמִים, אֵל שִׂמְחַת גִּילֵנוּ, יְהִי רָצוֹן מִלְּפָנֶיךָ שֶׁעֵקֶב פִּדְיוֹנוֹ של גלעד שליט לֹא יְאֻנּוּ כָּל פֶּגַע אוֹ רָעָה לִבְנֵי עַמֶּךָ לֹא בַּשָּׁנָה הַזֹּאת וְלֹא בְּכָל הַשָּׁנִים הַבָּאוֹת עָלֵינוּ לְטוֹבָה, אֶלָּא פְּרֹשׂ בְּרַחֲמֶיךָ הָרַבִּים סֻכַּת רַחֲמִים וְחַיִּים וְשָׁלוֹם, עָלֵינוּ, וְעַל כָּל יִשְרָאֵל, וְעַל כָּל יֹּשְבֵי תֶבֶל. וְכֵן יְהִי רָצוֹן וְנֹאמַר אָמֵן. בָּרוּךְ אַתָּה ה' אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם. שֶׁהֶחֱיָנוּ וְקִיְּמָנוּ וְהִגִּיעָנוּ לַזְמַן הַזֶּה.


התפילה נכתבה על בסיס תפילות ההודיה של כנסת הרבנים של התנועה המסורתית ותפילתו של הרב יהורם מזור (העבודה שבלב – המרכז להתחדשות התפילה)
Declaração da WUPJ (World Union for Progressive Judaism) sobre a libertação de Guilad Shalit
tradução: Uri Lam

A World Union fro Progressive Judaism, que representa 1,8 milhão de judeus em todo o mundo, está extremamente feliz em dar as boas vindas a Guilad Shalit de volta para casa, para Israel e para sua família.
Após cinco anos de cativeiro, o pesadelo finalmente passou e a WUPJ deseja a Guilad Shalit e à sua família e amigos uma passagem tranquila de volta à normalidade.
Muitos países e muita gente esteve envolvida nas negociações que levaram à libertação de Shalit e que, nesse espírito de cooperação, possamos rezar para que seja gerada a boa vontade na direção de uma futura estabilidade na região.
Neste tempo de alegria, no entanto, devemos fazer uma pausa para refletir sobre o enorme preço que Israel pagou para obter a libertação de Guilad Shalit. Nossos pensamentos se voltam para as famílias das vítimas de alguns dos terroristas que foram soltos nesta troca de prisioneiros. A WUPJ entende suas dúvidas, mas esperamos que este gesto simbólico possa superar seus medos e preocupações.
Que nós possamos ver, neste novo ano judaico de 5772, esperança e recomeço.

Rabino Stephen Lewis Fuchs 
Presidente da World Union for Progressive Judaism

Michael Grabiner 
Chair da World Union for Progressive Judaism

Somado a esta declaração, o rabino Stephen Fuchs juntou-se à declaração feita por líderes da Comunidade Judaica Reformista Norte Americana:

Every bee that brings the honey
Needs a sting to be complete
And we all must learn to taste the bitter with the sweet.

Cada abelha que traz o mel
Precisa de uma picada para ser completa
E devemos todos aprender a sentir o amargo com o doce.

Estas palavras da cantora israelense Naomi Shemer expressam nossas emoções hoje após a libertação de Guilad Shalit. Nós sempre devemos manter junto a nós com carinho aqueles cujas vidas foram prematuramente interrompidas por aqueles que foram libertados da prisão neste mesmo dia em que nos alegramos com a família Shalit, com Israel e com o Povo Judeu pelo retorno de Guilad.

Rabino Eric Yoffie
Presidente da URJ (Union for Reform Judaism)

Rabino David Ellenson
Presidente do HUC-JIR (Hebrew Union College-Jewish Institute of Religion)

Rabino Steven Fox
Chefe Executivo da CCAR (Central Conference of American Rabbis)

Rabino Daniel Allen
Diretor Executivo da ARZA (Association of Reform Zionists of America)

Rabino Stephen Lewis Fuchs
Presidente da WUPJ (World Union for Progressive Judaism)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ROSH HASHANÁ - 2a manhã, 2 de Tishrê 5772 / 30 de setembro de 2011
Congregação Israelita Paulista (CIP)
Prédica/Drashá: Uri Lam
MÃO FORTE E BRAÇO ESTENDIDO
Todo dia importante, que gera grandes expectativas, que podem levar a grandes vitórias ou a grandes frustrações, a grandes alegrias ou a grandes tristezas, todo dia com o potencial de servir como divisor de águas em nossas vidas, parece ser mais longo que os outros dias. Rosh Hashaná tem todas estas características. É Iom Hadin, o Dia do Julgamento. Sempre que somos expostos a julgamento, a críticas, parece que os minutos não passam.
Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, não ocorre num tribunal comum. Diante de nós, como se estivesse numa bimá celestial, está Deus. E aqui na Terra, estamos nós. Alguns de nós pode pensar: como Deus pode nos avaliar, estando Ele lá, e nós aqui? No dia 12 de abril de 1961, há 50 anos, a bordo da nave Vostok 1, o cosmonauta Iuri Gagarin, primeiro cosmonauta a viajar pelo espaço, a dar uma volta completa em órbita ao redor do planeta, afirmou lá de cima: “A Terra é azul”. Se a visão de Deus for parecida com a de Iuri Gagarin, como Ele pode nos julgar, se tudo o que Ele vê é que a Terra é azul?
Por outro lado, conta-nos o Midrash Devarim Rabá, que embora Deus tenha colocado os céus nos céus e a terra na terra, veio o homem e, por obra de suas mãos, colocou tudo de cabeça para baixo.
Deus, que estava no céu, desceu para a terra, até o Monte Sinai. Por sua vez, Moisés, que estava na terra, subiu aos céus, até o Monte Sinai. Impossível não nos lembrarmos do afresco de Michelângelo, em que a “mão” de Deus quase toca a mão do Homem. Quase, mas não toca.
Nunca, jamais imaginamos Deus a segurar a Torá e a entregá-la para Moisés “em mãos”. A Mishná, no tratado Avot, com os ditos dos nossos antepassados, diz que Moisés recebeu a Torá no Sinai e a transmitiu para os demais líderes numa corrente intermitente. Al Pi Adonai, beiad Moshé – pela boca de Deus, pelas mãos de Moisés. Esta corrente de transmissão chegou até nós, hoje, início de 5772. Pelas mãos de Deus? Não! Pelos ditos de Deus, mas a obrigação de transmitir a Torá é, e deve ser, feita pelas nossas próprias mãos, pelos nossos próprios atos. Uma das principais mensagens contidas, na transmissão da Torá por Moisés, até chegar a nós é: hevú metunim badin – sejam moderados no julgamento. Bom saber. Afinal, hoje é Iom Hadin, o Dia do Julgamento.
Lemos na Torá, e também na Hagadá de Pessach, e nas nossas rezas diárias no sidur, e também em nossos machzorim de Rosh Hashaná e Iom Kipur, que Deus nos retirou do Egito beiad chazacá uvizeroá netuiá, com mão forte e braço estendido. Esta foi a frase que ecoou nos meus ouvidos nos últimos dias, e que inspirou as palavras desta manhã: Mão forte e braço estendido. O Êxodo do Egito nos remete a Pessach ─ mas este mesmo êxodo é lembrado também em Rosh Hashaná. Avinu, Malkenu, nosso Deus bondoso como um pai, e nosso Deus firme como um rei, nos tirou do Egito, com mão forte e braço estendido. A imagem da mão forte é clara: a mão poderosa de um rei. E o braço estendido? Lembro-me dos desenhos de hagadot de Pessach antigas, com um looongo braço de Deus.
Mas hoje, Rosh Hashaná, quero propor a vocês outra imagem deste looongo braço: um braço acolhedor, um braço de abraço. Enquanto Deus, nosso Rei, atua com mão forte, o mesmo Deus, nosso Pai, nos abraça e nos acolhe com o braço estendido.
Quando lemos, nesta manhã de Rosh Hashaná, que Deus ordena a Avraham Avinu para levar o seu filho Itschac, que tanto ama, para ser sacrificado, se nos colocamos no lugar de Abrahão e de Sara, podemos sentir a mão forte de Deus a esmagar o nosso pescoço, a ponto de não termos ar nem para responder um “sim”, nem um “por que, Deus?”. Por que amarrar e sacrificar o próprio filho???
Neste Iom Hadin alguns de nós podemos pensar se no ano que passou agimos como Abrahão, que se calou diante da ordem Divina de sacrificar o próprio filho. Até que ponto sacrificamos nossos filhos, nossos pais, nossos irmãos, nossos amigos, nossos funcionários, nossos colegas? Até que ponto nos calamos? Até que ponto? Até que ponto, depois de criá-los, festejá-los, alimentá-los, cuidarmos deles, rirmos junto com eles, estimulá-los, até que ponto depois nós os amarramos aos nossos próprios valores e os sacrificamos? Até que ponto estamos à beira de sacrificarmos alguém neste ano que se inicia?
Deus ordenou que Abrahão amarrasse Isaac e o sacrificasse, mas foi o próprio Abrahão quem amarrou o próprio filho, com as próprias mãos. Alguns podem dizer: “Abrahão foi fiel a Deus! Abrahão demonstrou até onde pode ir, em nome de Deus!” Mas será isso o que Deus queria de Abrahão? Será que é isso o que Deus espera de nós, neste Dia de Julgamento? Que não importa o que Ele nos diga, que não interessa o que Ele nos ordene, o importante é que façamos valer a palavra de Deus? Nem que seja matar o próprio filho?
Nós nos acostumamos a destacar, na história do sacrifício de Isaac, o fato de, no último segundo, um anjo ter impedido a mão de Abrahão de matar o próprio filho. Este teria sido o divisor de águas entre o recém-nascido povo de Israel e os demais povos da região, acostumados a sacrifícios humanos. Nós não fazemos sacrifícios humanos!!! Nós somos um povo ético! Nós não matamos à toa!!!
Quero propor hoje um outro foco, uma outra maneira de ver o sacrifício de Isaac. Vamos nos lembrar da cena: Abrahão e Isaac chegaram ao lugar que Deus ordenou que fosse feito o sacrifício. Abrahão ergueu ali um altar, preparou a lenha, amarrou seu próprio filho, com suas próprias mãos, e fez Isaac se deitar sobre o altar. Abrahão estendeu sua mão e pegou a faca para sacrificar o filho. Mão forte e braço estendido. A mão pronta para uma ação forte. O braço estendido para quê?
Neste Iom Hadin, de Rosh Hashaná, quando Deus, Nosso Pai e Nosso Rei, começa a fase final do nosso julgamento, lembramos que Ele usou a Sua mão forte para nos livrar do Faraó e da escravidão, e que nos abraçou com Seu braço estendido, como um pai e com uma mãe fazem com seus filhos.
A história de Isaac nos leva para um grande dilema: a quem estendermos o braço? Contra quem usarmos a mão forte? Um anjo de Deus aparece a Abrahão e lhe diz, lá do céu: “Abrahão, Abrahão!” E ele responde: “Hineni, estou aqui!”. O anjo está lá no céu. Abrahão está aqui, na terra. Os anjos estão tão próximos do homem que, às vezes, nos momentos críticos, podemos ouvi-los. Mas não tocá-los. E mais: eles não podem impedir nossas mãos. As obras de nossas mãos são nossa responsabilidade. Se vamos usar a nossa mão forte para nos defendermos ou para nos boicotarmos, para produzir obras de arte ou para puxar o gatilho, a decisão e o ato em si mesmo é só nosso. Mas os anjos podem falar e até gritar com a gente para pensarmos melhor antes de fazermos alguma bobagem. E na nossa história, o anjo gritou com Abrahão: “Não estenda o seu braço sobre o moço e não lhe faça nada; agora sei que você teme a Deus”. O anjo sabe, afinal, que Abrahão é temente a Deus e que faria qualquer coisa por Ele. Mas não é isso o que Deus espera de Abrahão!!!
Quanta gente, hoje em dia, faz qualquer coisa em nome de Deus? Quanta gente, hoje em dia, mata, chantageia, mente, engana, em nome de Deus? É isso o que Deus espera de nós?
O anjo impede Abrahão de sacrificar o próprio filho porque o braço estendido de um pai não serve para matar, porque o braço estendido de um pai e de uma mãe servem para abraçar!!! É como se Deus dissesse: Abrahão, eu sei que você é temente a Mim, afinal, eu sou o Seu Rei. Mas o que Eu espero de você é que você use a sua mão forte para se defender, e que você estenda o seu braço para abraçar o seu filho, não para amarrá-lo, e jamais para matá-lo! Abaixe a mão Abrahão!
Ser temente a Deus, ser religioso, acreditar em Deus é fácil. Mas é pouco. Não é isso o que Deus espera de nós. Deus espera de nós ações práticas, braços estendidos para acolher, para abraçar, para ensinar, para indicar o caminho para os nossos filhos, para os nossos amigos, para quem pudermos ajudar a seguir pelo caminho do bem. Usar somente de mão forte com nossos filhos pode significar amarrá-los aos nossos próprios valores e temores. Estender-lhes a mão e abrir espaço para que escolham seus próprios caminhos, ainda que não sejam os nossos, e abraça-los nos momentos de dificuldade, com um abraço estendido, gostoso e protetor ─ pode ser uma boa dica de o que Deus espera de nós para o ano 5772.
Shaná Tová
Uri Lam

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Parashá da semana: Ki Tetsê
Lembre-se de Amalec para não ser como ele – seja você gente com as outras pessoas
Uri Lam, para o folheto Congregar, da CIP 
“Quem sai na chuva é prá se molhar”. Muitas vezes repetimos o conhecido ditado para quem se expôs a uma situação que por sua vez levou a consequências indesejáveis. A vida lá fora é arriscada, mas para que a vida faça sentido é preciso ir à luta e se expor ao risco.
“Chove lá fora - e aqui faz tanto frio”. Na canção do compositor Lobão, apesar da chuva lá fora, deixar de sair e de enfrentar as dificuldades é ainda mais difícil: é frio e angustiante. E conforme a nossa parashá da semana, a opção de ficar dentro de si mesmo ou dentro de casa e não ir à luta não existe. A Torá não diz “se você sair à guerra” e sim “quando você sair à guerra”. Não adianta fazer de conta que as suas dificuldades não estão lá fora, nem imaginar que se ficar quietinho dentro de si mesmo, elas irão desaparecer como num passe de mágica. A questão da Torá é: quando você for sair para a guerra, como você deve agir?
Ki Tetsê nos expõe a 72 situações nada fáceis de lidar – 72 mitsvot, segundo Maimônides. Estamos no mês de Elul, o último do ano judaico. Estamos perto do prazo final para enfrentarmos nossos fantasmas antes de nos encontrarmos com Deus em Iom Kipur. São 72 oportunidades de cultivar diversas qualidades dentro de nós: clareza, equilíbrio, integridade, bondade, compaixão, generosidade, honestidade e justiça, amor por Deus e amor pelo ser humano.
É mais fácil exigir tudo isso de outras pessoas: puxa vida, ele podia ter sido mais paciente comigo; ela deveria ter sido mais generosa com aquele senhor; não é justo o que eles fizeram com aquela gente...
No entanto, o que a Torá discute esta semana é como você deve se portar quando você estiver “por cima”, quando você estiver em vantagem diante de uma pessoa em situação de fragilidade. “Quando você sair à guerra contra os seus inimigos...”. é de você que a Torá fala, não dos outros. Quando você estiver diante de outras pessoas em posição que lhe favorece, a tentação de se vingar, de dar uma lição ou de provocá-las é muito grande. Mas o que a ética judaica nos ordena é justamente o contrário: devemos aproveitar a nossa vantagem para fazer uma boa ação. Ao encontrar algo que claramente alguém perdeu, não fazer de conta que não viu, mas sim recolher e aguardar que o dono reclame o que é dele e devolver. Não cobrar juros de um empréstimo feito ao amigo em dificuldades. Não aplicar dois pesos e duas medidas para a mesma situação.
Quando você sair à luta, seja gente com quem encontrar pelo caminho e estiver passando dificuldades. Seja caloroso. Ser gente é o que Deus espera de você.